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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Povo vai bem, mas noticiário o induz a achar que o país vai mal


Política

Segundo Ibope, avaliação do governo Dilma sobe e maioria (76%) se diz satisfeita com a vida. E se 30% pensam que a economia vai mal, como pode 68% acharem que sua vida estará melhor em 2015? - Como pode o povo estar otimista com o futuro e ao mesmo tempo acreditar que a economia vai mal?

Blog da Helena
Helena Sthephanowitiz 
REPRODUÇÃO
Na pesquisa Ibope divulgada na terça-feira (26), Dilma Rousseff (PT) subiu dois pontos na espontânea, chegando a 27%. Marina Silva (PSB) teve 18%, e Aécio Neves (PSDB), 12%. A pesquisa espontânea é aquela que reflete melhor a firmeza do voto, porque apenas pergunta em quem o eleitor votará, sem mostrar nenhuma lista de nomes. Responde quem já tende a ter definido o candidato de sua preferência.
Na sondagem estimulada, feita em seguida, mostra-se um disco com as opções de candidatos, e o pesquisado escolhe um dos nomes. Quem só responde diante do disco de opções tem queda por aquele candidato naquele momento da sondagem, mas é mais incerto se a intenção declarada se converterá em voto na urna.
Na simulação de primeiro turno estimulada, segundo o Ibope, Dilma cresce pouco em cima da espontânea. Sobe de 27% para 34% no primeiro turno e para 36% no segundo turno. Nota-se que 34% corresponde a quem avalia o governo da presidenta com bom e ótimo, o que pode representar seu piso de votos, abaixo do qual ela dificilmente cai. Há outros 36% que avaliam seu governo como regular, e pelo menos uma parte destes votará em Dilma, coisa que a pesquisa não captou, mas significa que a campanha da presidenta tem todo este segmento do eleitorado para explorar e crescer. Se apenas um terço de quem avalia o governo como regular, com viés positivo, votar em Dilma, a probabilidade de vitória da presidenta continua alta.
Marina sobe de 18% na espontânea para 29% na estimulada no primeiro turno e para 45% num eventual segundo turno. Seu momento eleitoral é o melhor possível. Mas algo próximo de certeza de votos mesmo ela só tem de cerca de 18% dos pesquisados. Os demais ela ainda precisa convencer o eleitorado a converter em intenção em voto. Marina tem o nome conhecido por ter participado das eleições de 2010 com boa votação, mas não tem propostas bem conhecidas.
É uma faca de dois gumes. Ela pode tanto consolidar votos como perdê-los, quanto mais suas propostas (ou falta delas) forem conhecidas. Uma coisa é simpatia por uma imagem abstrata de novidade, como uma roupa que parece bonita na vitrine de uma loja. Outra coisa é o conhecimento mais profundo da candidata e avaliar o que ela pode fazer de fato nos próximos quatro anos, se vencer. É como experimentar a roupa da vitrine para decidir se compra. Pode não vestir bem no corpo da pessoa como parecia na vitrine.
Dilma sobe de 27% na espontânea para 36% no segundo turno, sempre segundo o Ibope. Marina salta de 18% para 45% na mesma simulação. Dilma sobe só um terço de seus votos firmes na sondagem do princípio ao fim do processo eleitoral. Marina mais do que dobra, subindo uma vez e meia. É improvável que ao longo da campanha eleitoral Dilma conquiste tão poucos novos votos e Marina conquiste tanto sozinha. Seria necessário Dilma fazer tudo errado e Marina tudo certo para isso acontecer.
Aécio é quem está em maiores apuros. Tem 12% de votos firmes na espontânea e 19% na estimulada de primeiro turno, e corre o risco de ver sua candidatura esvaziar-se mais se consolidar a polarização entre Dilma e Marina. Precisa provocar uma difícil reviravolta para voltar ao jogo.
Na prática, mesmo na simulação de segundo turno que é apenas uma sondagem pouco confiável nesta fase da campanha, se for para levar a sério os números do Ibope, o que se pode concluir é que as intenções de votos declaradas em Dilma estão próximas de seu piso, batendo com as avaliações de bom e ótimo de seu governo. As em Marina estão próximas de seu teto. Logo, Dilma tem espaço, e muito, para crescer. Já Marina tem que se esforçar para não cair.
A própria pesquisa mostra a avaliação do governo Dilma subindo. Mostra também uma coisa inusitada. A grande maioria dos brasileiros (76%) diz estar satisfeita com a vida atual que leva. E 43% acham que sua própria situação econômica está boa ou ótima. Só 13% acham que está ruim ou péssima. Outros 68% estão otimistas acreditando que sua própria vida estará melhor em 2015. Quando perguntados sobre a economia do país, a situação se inverte: 30% dizem estar ruim ou péssima, contra 24% dizendo que está boa ou ótima. Mesmo assim, 45% acham que a economia do Brasil estará melhor no ano que vem contra apenas 13% que acham que estará pior.
Como pode o povo se sentir bem economicamente, estar otimista com o futuro e ao mesmo tempo acreditar que a economia “do país” vai mal? Só o efeito do noticiário extremamente negativo sobre a economia, descolado da realidade, explica. Colar as duas realidades é, talvez, o maior desafio da campanha de Dilma. Para alegria de seus correligionários, é relativamente fácil explicar o óbvio: que o Brasil é exatamente o mesmo país onde o povo brasileiro vive, e não o das manchetes alarmistas que mais parece um país estrangeiro, que nada tem a ver com onde vivemos.
Aquela história de votar com a mão no bolso, de acordo com a sensação de bem-estar social, favorece Dilma, mas ainda não está refletida nas intenções de voto, por uma abstrata visão negativa do país propagada no noticiário, como se os brasileiros não vivessem nele. É muito improvável que esse quadro permaneça até o fim das eleições. Esse é o maior desafio da campanha de Marina Silva, além de contradições sobre a tal “nova política”, a começar por suposto uso de empresas laranjas, com indícios de caixa dois, para bancar despesas de campanha da chapa Eduardo-Marina, no caso do jatinho.
Fonte - RBA (Rede Brasil Atual)  27/08/2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pesquisa mostra que pelo 8º ano brasileiro é o mais otimista do mundo

Brasil

Com nota 8,8, numa escala de 0 a 10, o Brasil voltou a liderar o ranking, pelo oitavo ano consecutivo. - A mesma pesquisa, realizada em 138 países, constata que na hora de avaliar sua vida atual e as condições oferecidas pelo Pais, o brasileiro se dá nota 7,1. Esse é o mais alto resultado da pesquisa para o País e põe o Brasil na 14ª posição, à frente de países como Itália, Espanha, Irlanda, Portugal, Rússia, Índia, China, Chile, Peru e Colômbia.

TB
foto - ilustração
O brasileiro continua a ser o povo com mais confiança no futuro. É o que aponta a pesquisa do Instituto Gallup World Poll. Com nota 8,8, numa escala de 0 a 10, o Brasil voltou a liderar o ranking, pelo oitavo ano consecutivo. “Ninguém vê o futuro com tanto otimismo quanto o brasileiro”, afirma o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri.
A mesma pesquisa, realizada em 138 países, constata que na hora de avaliar sua vida atual e as condições oferecidas pelo Pais, o brasileiro se dá nota 7,1. Esse é o mais alto resultado da pesquisa para o País e põe o Brasil na 14ª posição, à frente de países como Itália, Espanha, Irlanda, Portugal, Rússia, Índia, China, Chile, Peru e Colômbia.
Em sua palestra no Centro Aberto de Mídia João Saldanha, no Rio de Janeiro, Neri atribuiu este bom desempenho do Brasil na pesquisa à redução da desigualdade e da extrema pobreza; ao contínuo crescimento da renda do brasileiro e à aquisição de bens como casa própria e automóveis. “A vida dos brasileiros está melhorando”, disse o ministro. “Aqui no Brasil estamos vivendo uma transformação profunda. Não é só de renda. É de educação e outros fatores. No Nordeste, a mortalidade infantil caiu 58%. O que é mais importante do que isso?”
Para o ministro, a grande transformação brasileira dos últimos 10 anos é a redução da extrema pobreza, com resultados que superam a Meta do Milênio estabelecida pelas Nações Unidas. No ano 2000, a ONU estipulou que os países deveriam reduzir a extrema pobreza em 50% até 2015. “Já em 2012, reduzimos esse índice em 70%”, afirmou o ministro. O maior motivo para isso, segundo ele, é a renda do trabalho.
Outro fator importante foi o programa do governo de transferência de renda Bolsa Família, que chamou de “coadjuvante sensacional” no processo.
foto - ilustração
Neri citou também que a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostra redução da desigualdade e crescimento médio real da renda do brasileiro de 4,35%, acima do Produto Interno Bruto (PIB), nos últimos 12 meses até abril de 2014, edição mais atualizada para a pesquisa completa.
Abrindo dados da PME, há indicadores ainda melhores. “Um brasileiro mediano, João, está com crescimento de renda chinês, 6,8%, mais que o PIB”, disse o ministro. “A renda de mulheres, negros e com baixa escolaridade, grupos tradicionalmente excluídos, cresceram ainda mais.”
Os dados da PME mostram que a redução da desigualdade no Brasil é sustentável, segundo o ministro. “A redução da desigualdade de renda no Brasil é sem paralelo, com exceção talvez do período pós-guerra para os países ricos”, disse, lembrando que aquele processo não foi sustentável.
Neri citou que no período 2002-2003, apenas 16 em cada 100 pessoas cruzaram para cima o ponto médio de renda da PME. Dez anos depois, já são 27 em cada 100 pessoas que percorreram o mesmo trajeto, o melhor número da série. “A probabilidade de um brasileiro subir na vida nunca foi tão alta”, disse ele.
O ministro citou que no acumulado entre 2003 e 2012, enquanto o PIB cresceu 27,8%, a renda média do brasileiro cresceu 51,7%, cerca de 2 vezes mais, em termos reais por habitante (descontando a inflação e o crescimento da população).
Outros indicadores mostram desempenho ainda melhor. “A renda do brasileiro médio cresceu 3 vezes o desempenho do PIB. E se pegarmos o brasileiro mais pobre, veremos que para ele a renda cresceu ainda mais: 106%. Isso significa uma alta quatro vezes maior do que a registrada pelo PIB”, disse o ministro.
Ao final, Neri adiantou dados de uma pesquisa ainda inédita do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre as manifestações de rua realizadas em 2013. Os primeiros dados mostram que em junho do ano passado, 75% dos entrevistados apoiam as manifestações. Já a nova pesquisa constatou que esse apoio caiu para 54%.
A pesquisa deve ser divulgada nos próximos dias.
Fonte - Tribuna da Bahia  27/06/2014