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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Fatos - Reportagem forjada e pesquisa manipulada. Factoide - recontagem de votos

Política

Para tucanos, interessa mudar a pauta para que esses fatos caiam no esquecimento. Nesse contexto, um factóide vem a calhar: pedir uma auditoria ou recontagem dos votos, para tumultuar e funcionar como cortina de fumaça 

RBA
Por Helena Sthephanowitz
PT prepara representação ao Ministério Público Eleitoral
contra institutos Veritá e Sensus por pesquisas questionáveis

JOSÉ CRUZ/ABR
Há pelo menos dois fatos gravíssimos, com indícios de crimes, na última eleição que não podem ser varridos para debaixo do tapete, senão a legislação eleitoral, que busca equilíbrio no pleito, vira letra morta para as próximas eleições.
O primeiro fato é um criminoso confesso, em processo de delação premiada, fazer ou não (ainda não se sabe ao certo) divagações abstratas sobre a presidenta da República, e candidata a reeleição, ter conhecimento prévio de atividades criminosas praticadas por ele. Ato contínuo, tais divagações alimentaram uma pseudorreportagem de capa sensacionalista, panfletária e escandalosa da revista de maior circulação nacional induzindo o leitor a pensar que aquilo seria a comprovação de que a candidata não teria credenciais nem para merecer o voto, nem para cumprir o mandato se eleita fosse.
Como se não bastasse, a pseudorreportagem foi usada no horário eleitoral gratuito do candidato tucano, o maior interessado. A própria candidata Dilma Rousseff foi obrigada a usar seu horário eleitoral para fazer um pronunciamento duro repugnando o que ela chamou de terrorismo eleitoral e intento criminoso, além de declarar que iria tomar as medidas cabíveis na Justiça, diante da calúnia e difamação contra ela.
Seguiram-se batalhas judiciais para evitar que a pseudorreportagem fosse usada como campanha eleitoral negativa e paralela, infringindo as normas eleitorais. Além disso, um direto de resposta foi pedido reconhecido como justo e necessário tanto pelo Ministério Público Eleitoral como pelo Tribunal Superior Eleitoral, coisa que a revista só cumpriu na forma que mandava a sentença às 16h30 da tarde do dia das eleições, horário já próximo do fechamento das urnas.
A pseudorreportagem pautou a campanha e o noticiário nos dois últimos dias anteriores e no próprio dia da eleição, funcionando como boca de urna negativa contra a candidata Dilma Rousseff. Como se não bastasse, no dia da eleição, um boato falso foi espalhado nas redes sociais de que o doleiro delator teria morrido envenenado como "queima de arquivo".
Estes fatos estão registrados. São notórios e incontestáveis. O que não se sabe ainda é o que se passou nos bastidores e as tramas que levaram ao desdobramento que teve. Então não vamos fazer ilações sobre o que não se sabe, mas é inaceitável que não se investigue até o fim para sabermos.
Se este episódio for varrido para debaixo do tapete se criará um precedente muito perigoso, onde qualquer bandido pode vir a eleger presidente da República da sétima economia do mundo através de escândalos forjados. Note bem que qualquer candidato, de qualquer partido, pode vir a ser vítima no futuro deste tipo de golpe eleitoral.
Bandidos envolvidos em escândalos podem ser cooptados por corruptores inescrupulosos a serviço de megacorporações internacionais, seja do setor bancário, seja do petróleo, seja da indústria bélica, seja outras áreas interessadas em obter vantagens indevidas das riquezas nacionais, através da eleição de um candidato dócil ou afinado com seus interesses econômicos. Com seus tentáculos financeiros podem perfeitamente plantar divagações em depoimento de um bandido, em seguida oferecer "fontes" para plantar pseudo-reportagem em revistas, inclusive patrocinadas com anúncios pelos setores econômicos interessados, que serão repercutidas nas TVs e na campanha do candidato interessado, podendo levar a vontade popular a ser manipulada por informações falsas que causem um clima de catarse contra um candidato que contrarie interesses poderosos em defesa do interesse popular.
Outro fato diz respeito à manipulação de pesquisas. Um dos donos do Instituto Veritá denunciou pressões vindas do marketing da campanha de Aécio Neves, para divulgar pesquisa que não expressava a realidade. Pesquisas dos institutos Veritá e Sensus, com números muito diferentes das demais, foram usadas na propaganda eleitoral do candidato tucano. O PT prepara representação ao Ministério Público Eleitoral contra os dois institutos, pois ministros do TSE relatam que as pesquisas de ambos foram feitas sem observar o padrão estatístico do IBGE.
Conforme o grau de participação da campanha tucana nestes fatos, as consequências podem ser bastante graves tanto na esfera judicial como na própria opinião pública. O cidadão não gosta de ser enganado por trapaças eleitorais.
Logo, para os tucanos, interessa de forma urgente mudar a pauta, para que esses fatos caiam no esquecimento o mais rápido possível. E, nesse contexto, um factóide vem a calhar: pedir uma auditoria ou recontagem dos votos, para tumultuar e funcionar como cortina de fumaça.
Fonte - Rede Brasil Atual  31/10/2014

Golpe midiático não vai dar em nada?

Política

Está na hora daquelas autoridades que falam em nome do Estado brasileiro cumprirem o dever legal de garantir os direitos dos cidadãos de escolher os governantes através de eleições livres e limpas, sem golpes sujos.

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
foto - ilustração
O golpe eleitoral midiático destinado a interferir na eleição presidencial completa uma semana hoje e cabe perguntar: vai ficar tudo por isso mesmo?
É curioso registrar que estamos diante de um caso que a Polícia Federal e o Ministério Público têm todos os meios de apurar e chegar aos responsáveis sem muita dificuldade, até porque muitos nomes são de conhecimento público. Não é diz-que-diz. Nem simples cortina de fumaça.
Os indícios criminais estão aí, à vista de 140 milhões de eleitores.
Até o momento, temos uma discussão de mercado. Jornalistas debatem o que aconteceu, analistas dão seus palpites, políticos de um lado de outro têm sua opinião. Não basta.
Está na hora daquelas autoridades que falam em nome do Estado brasileiro cumprirem o dever legal de garantir os direitos dos cidadãos de escolher os governantes através de eleições livres e limpas, sem golpes sujos.
O golpe midiático não foi um ato delinquente sem maiores consequências. Trouxe prejuízos inegáveis a candidatura de Dilma Rousseff e poderia, mesmo, ter alterado o resultado da eleição presidencial - a partir de uma denúncia falsa. Mesmo eleita, é inegável que Dilma saiu do pleito com um desfalque de milhões de votos potenciais, subtraídos nas últimas 48 horas. “Se a eleição não fosse no domingo, ela até poderia ter perdido a presidência,” admite um membro do Ministério Público Federal.
Boa parte da investigação já está pronta. Sabemos qual o lance inicial - uma capa da revista 'Veja', intitulada “Eles sabiam de tudo”, dizendo que o doleiro Alberto Yousseff dizia que Lula e Dilma estavam a par do esquema de corrupção. Sabemos que, prevendo uma possível ação judicial, a própria revista encarregou-se de esclarecer que não podia provar aquilo que dizia que Yousseff havia dito. O próprio advogado de Yousseff também desmentia o que a revista dizia. Mesmo assim, VEJA foi em frente, espalhando aquilo que confessadamente não poderia sustentar.
Seria divulgado, mais tarde, que a referência a Lula e Dilma, uma suposição (alguma coisa como “é difícil que não soubessem”) sequer fora feita no próprio depoimento a Polícia Federal, mas numa segunda conversa, 48 horas depois.
Se essa hipótese é verdadeira, isto quer dizer que a própria frase da capa, “eles sabiam de tudo”, pode ter sido obtida artificialmente, sem caráter oficial, apenas para que fosse possível produzir uma manchete na véspera da eleição.
Colocada diante de um fato consumado, Dilma foi levada a gravar um pronunciamento para seu programa político. O assunto foi tema no debate da TV Globo, na noite de sexta-feira. Também foi tratado pela Folha de S. Paulo, no dia seguinte, e no Jornal Nacional, menos de doze horas antes da abertura das urnas e dos primeiros votos.
Se antecipou a impressão e distribuição da revista em 24 horas, num esforço para garantir de qualquer maneira que a acusação que não podia ser provada contra Dilma e Lula tivesse impacto sobre os eleitores, a revista também fez um esforço especial de divulgação. No sábado, espalhou out-doors pelo país e foi acusada de não acatar decisão judicial para que fossem retirados - pois o próprio texto do anúncio servia como propaganda negativa contra Dilma. Obrigada a publicar um direito de resposta em seu site, a revista respondeu ao direito de resposta, o que é um desrespeito com a vítima.
No domingo, quando o doleiro Alberto Yousseff foi internado por uma queda de pressão, a pagina falsa de um site de notícias de grande audiência circulou pela internet, dizendo que ele fora assassinato num hospital de Curitiba. No mesmo instante, surgiram cidadãos que gritavam em pontos de circulação que Yousseff fora assassinado numa queima de arquivo, numa campanha de mentira que ajudou a elevar a tensão entre militantes, ativistas e cabos eleitorais de PT e PSDB.
O ministro José Eduardo Cardozo teve de intervir pessoalmente para desmentir a mentira.
Talvez não seja tudo. Olhados em retrospecto, os números risíveis de determinados institutos de opinião, que apontavam para uma vantagem imensa e ridícula de Aécio Neves sobre Dilma, poderiam servir para dar sustentação a trama.
Caso o golpe midiático viesse a ser bem sucedido, produzindo uma incompreensível virada de última hora, estes números de fantasia poderiam ser usados como argumento para se dizer que a candidata do PT já estava em queda e que sua derrota fora antecipada em algumas pesquisas. Verdade? Mentira? Cabe investigar.
Há uma boa notícia neste campo.
No final da tarde de ontem, era possível captar sinais de que uma investigação oficial sobre o golpe midiático pode estar a caminho. Cabe torcer para que isso aconteça e que ela seja feita com toda seriedade que o caso merece.
O eleitor agradece.
Fonte - Blog do Miro  31/10/2014

sábado, 21 de dezembro de 2013

Agripino Maia e o Caixa-2 do DEM

Política

As denúncias inclusive impulsionaram os protestos populares contra a ex-prefeita de Natal, uma demo-verde que foi escorraçada nas eleições municipais de 2012, e contra a atual governadora, a demo Rosalba Ciarlini, que hoje está com a sua popularidade na lama.

Por Altamiro Borges
foto - ilustraçâo
Há muito tempo que os blogueiros e jornalistas independentes do Rio Grande do Norte denunciam a existência de milionário esquema de Caixa-2 do DEM no estado, liderado pelo presidente nacional da legenda Agripino Maia. As denúncias inclusive impulsionaram os protestos populares contra a ex-prefeita de Natal, uma demo-verde que foi escorraçada nas eleições municipais de 2012, e contra a atual governadora, a demo Rosalba Ciarlini, que hoje está com a sua popularidade na lama. Mesmo assim, a mídia demotucana sempre evitou investigar o caso e dar destaque ao assunto. Nesta semana, porém, a revista IstoÉ quebrou a blindagem ao publicar longa matéria sobre o "Caixa-2 democrata".
Assinada por Josie Jeronimo, a reportagem informa que o Ministério Público Federal finalmente está investigando o esquema de desvio de recursos públicos e que "escutas telefônicas revelam transações financeiras ilegais durante a campanha" dos demos no estado. Ela também revela que as denúncias contra o Caixa-2 do DEM foram encaminhadas ao ex-procurador geral da República, Roberto Gurgel, em 2009, mas que foram sinistramente engavetadas. A reportagem da IstoÉ representa um duro golpe no principal líder da sigla, o senador Agripino Maia, que adora posar de paladino da ética. Ela pode ajudar a cavar definitivamente a sepultura dos demos, que rumam para o inferno - se o diabo deixar!

Vale conferir a íntegra da matéria:

Caixa 2 democrata

Pequenino em área territorial, o Rio Grande do Norte empata em arrecadação tributária com o Maranhão, Estado seis vezes maior. Mas, apesar da abundância de receitas vindas do turismo e da indústria, a administração do governo potiguar está em posição de xeque. Sem dinheiro para pagar nem mesmo os salários do funcionalismo, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) responde processo de impeachment e permanece no cargo por força de liminar. Sua situação pode se deteriorar ainda mais nos próximos dias.
O Ministério Público Federal desarquivou investigação iniciada no Rio Grande do Norte que envolve a cúpula do DEM na denúncia de um intrincado esquema de caixa 2. Todo o modus operandi das transações financeiras à margem da prestação de contas eleitorais foi registrado em escutas telefônicas feitas durante a campanha de 2006, às quais ISTOÉ teve acesso. A partir do monitoramento das conversas de Francisco Galbi Saldanha, contador da legenda, figurões da política nacional como o presidente do DEM, senador José Agripino, e Rosalba foram flagrados.
A voz inconfundível de José Agripino surge inconteste em uma das conversas interceptadas. Ele pergunta ao interlocutor se a parcela de R$ 20 mil – em um total de R$ 60 mil prometidos a determinado aliado – foi repassada. A sequência das ligações revela que não era uma transição convencional. Segundo a investigação do MP, contas pessoais de assessores da campanha eram utilizadas para receber e transferir depósitos não declarados de doadores. Uma das escutas mostra que até mesmo Galbi reclamava de ser usado para as transações. Ele se queixa:“Fizeram uma coisa que eu até não concordei, depositaram na minha conta”.
Galbi continua sendo homem de confiança do partido no Estado. Ele ocupa cargo de secretário-adjunto da Casa Civil do governo. Em 2006, o contador foi colocado sob grampo pela Polícia Civil, pois era suspeito de um crime de homicídio. O faz-tudo nunca foi processado pela morte de ninguém, mas uma série de interlocutores gravados a partir de seu telefone detalharam o esquema de caixa 2 de campanha informando número de contas bancárias de pessoas físicas e relatando formas de emitir notas frias para justificar gastos eleitorais.
Nas gravações que envolvem Rosalba, o marido da governadora, Carlos Augusto, liga para Galbi e informa que usará de outra pessoa para receber doação para a mulher, então candidata ao Senado. “Esse dinheiro é apenas para passar na conta dele. Quando entrar, aí a gente vê como é que sai para voltar para Rosalba.” O advogado da governadora, Felipe Cortez, evita entrar na discussão sobre o conteúdo das escutas e não questiona a culpa de sua cliente. Ele questiona a legalidade dos grampos. “Os grampos por si só não provam nada. O caixa 2 não existiu. As conversas tratavam de assuntos financeiros, não necessariamente de caixa 2”, diz o advogado de Rosalba.
Procurado por ISTOÉ, o senador José Agripino não nega que a voz gravada seja dele. No entanto, o presidente do DEM afirma que as conversas não provam crime eleitoral. “O único registro de conversas do senador José Agripino refere-se à concessão de doação legal do partido para a campanha de dois deputados estaduais do RN”, argumenta.
No Rio Grande do Norte, José Agripino é admirado e temido por seu talento em captar recursos eleitorais. Até mesmo os adversários pensam duas vezes antes de enfrentar o senador com palavras. Mas o poderio econômico do presidente do DEM também está na mira das investigações sobre o abastecimento das campanhas do partido. A ­Polícia Federal apura denúncia de favorecimento ao governo em contratos milionários com a Empresa Industrial Técnica (EIT), firma da qual José Agripino foi sócio cotista até agosto de 2008.
Nas eleições de 2010, o senador recebeu R$ 550 mil de doação da empreiteira. Empresa privada, a EIT é o terceiro maior destino de recursos do Estado nas mãos de Rosalba. Perde apenas para a folha de pagamento e para crédito consignado. Só este ano foram R$ 153,7 milhões em empenhos do governo, das secretarias de Infraestrutura, Estradas e Rodagem e Meio Ambiente. Na crise de pagamento de fornecedores do governo Rosalba, que atingiu o salário dos servidores e os gastos com a Saúde, a população foi às ruas questionar o porquê de o governo afirmar que não tinha dinheiro para as despesas básicas, mas gastava milhões nas obras do Contorno de Mossoró, empreendimento tocado pela EIT.
De acordo com a investigação do MPF, recursos do governo do Estado saíam dos cofres públicos para empresas que financiam campanhas do DEM por meio de um esquema de concessão de incentivos fiscais e sonegação de tributo, que contava com empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. O esquema de caixa 2 tem, segundo o MP, seu “homem da mala”. O autor do drible ao fisco é o empresário Edvaldo Fagundes, que a partir do pequeno estabelecimento “Sucata do Edvaldo” construiu, em duas décadas, patrimônio bilionário. No rastreamento financeiro da Receita Federal, a PF identificou fraude de sonegação estimada em R$ 430 milhões.
O empresário é acusado de não pagar tributos, mas investe pesado na campanha do partido. Nas eleições de 2012, Edvaldo Fagundes não só vestiu a camisa do partido como pintou um de seus helicópteros com o número da sigla. A aeronave ficou à disposição da candidata Cláudia Regina (DEM), pupila do senador José Agripino. Empresas de Edvaldo, que a Polícia Federal descobriu serem de fachada, doaram oficialmente mais de R$ 400 mil à campanha da candidata do DEM. Mas investigação do Ministério Público apontou que pelo menos outros R$ 2 milhões deixaram as contas de Edvaldo rumo ao comitê financeiro da legenda por meio de caixa 2.
Fonte - Blog do Miro - 21/12/2013