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sábado, 27 de fevereiro de 2016

VLT de Cuiabá será concluído

Transportes sobre trilhos

A obra do VLT de Cuiabá será retomada.O modal já consumiu R$ 1,06 bilhão dos cofres públicos e mais R$ 600 milhões serão empregados. Estudo da KPMG mostra que modal tem viabilidade e governo vai retomar as obras do VLT Cuiabá-Várzea Grande

Orlando Morais Jr. - Diário de Cuiabá
foto - ilustração
O Governo do Estado já decidiu que vai retomar a polêmica obra do Veículo VLT Cuiabá/Várzea Grande, paralisada há mais de um ano. O modal já consumiu R$ 1,06 bilhão dos cofres públicos e mais R$ 600 milhões serão empregados. No próximo dia 3 de março, a empresa de consultoria KPMG, contratada pela atual gestão para estudar uma forma de viabilizar a operação do modal de transporte, vai entregar um relatório final em que afirma que o governo terá que fazer uma Parceria Público-Privada (PPP), subsidiada.
De acordo com o secretário de Estado de Cidades, Eduardo Chiletto, o governo terá que entrar com R$ 30 milhões a R$ 50 milhões ao ano para tornar a operação do VLT “viável”, com tarifa de valor razoável e integrada ao sistema de ônibus e micro-ônibus das duas cidades.
“O Governo vai retomar a obra do VLT – e a KPMG está estudando como viabilizar a operação, já que o modal, por si só, não se sustenta. É por isso que não será feita uma concessão, pois a empresa que entrasse teria prejuízo. No mundo inteiro o VLT dá prejuízo e o Estado tem que subsidiar, de alguma maneira”, disse o secretário. A PPP terá duração de 20 a 30 anos.
Dos R$ 600 milhões que ainda serão empregados na obra, o governo já tem R$ 200 milhões assegurados pela Caixa Econômica Federal. Os outros R$ 400 milhões estão sendo viabilizados via Ministério das Cidades, onde, segundo Chiletto, as conversas já estão adiantadas.
“O governador Pedro Taques sempre afirmou que não iria colocar sequer um real a mais na obra do VLT de forma irresponsável e se não fosse viável. Mas agora sim, como está se mostrando viável, vamos colocar recursos nele”, disse Chiletto. “Já-já eu espero estar dando a ordem de serviço para retomar a obra, basta ter um pouquinho de paciência”.
PRAZO – De acordo com o secretário, há duas “opções” de prazo para o término da obra, a partir do momento em que for retomada. “Podemos terminar de uma forma rápida – em dois anos; ou ir terminando trecho por trecho, o que demoraria de três a quatro anos. A sociedade e as prefeituras de Cuiabá e Várzea Grande serão chamadas para participar dessa decisão, porque será uma decisão que vai afetar a vida de muitas pessoas, além de prejudicar o comércio – que já foi o segmento que mais sentiu a primeira fase da obra, com muita gente inclusive fechando suas portas e tendo prejuízos”, afirmou.
Segundo Chiletto, se se optar pelo término em dois anos, “será que nem a gestão anterior fez: vai parar as duas cidades, haverá desvios para todo lado, enfim, vai virar um ‘piseiro’”. Por outro lado, fixando o prazo de término da obra em três ou quatro anos, será feito primeiro o trecho Aeroporto/Porto, em seguida o Porto/CPA, e depois o trecho Centro/Coxipó, “deixando a população menos estressada”.
VAGÕES – Duas decisões, porém, já estão tomadas. A primeira, que não haverá o corte do trecho Centro/Coxipó, como chegou a ser aventado. “Isso inviabilizaria financeiramente a operação. Cortando o trecho Coxipó, por exemplo, o subsídio do Estado teria que ser superior a R$ 100 milhões, o que é inviável. Muitas pessoas vêm do Coxipó para o Centro – e esse trecho precisa entrar na operação. O estudo da KPMG mostra que só há viabilidade com o modal completo: Aeroporto/CPA e Centro/Coxipó”.
A segunda decisão já tomada é que o governo vai vender 10 dos 40 vagões já comprados do VLT. “O governo anterior comprou 40 vagões estimando a passagem do VLT em cada estação a cada um minuto e meio. Isso também se mostrou inviável. Com 30 vagões, serão usados 26, quatro ficam de reserva e o VLT vai passar a cada 3 minutos, o que é bem razoável”. Segundo o secretário, o governo vai conseguir cerca de R$ 120 milhões com a venda de 10 vagões – e o Estado da Bahia é um dos potenciais compradores, já que estaria precisando.
JUSTIÇA – Depois de entregue ao governo no próximo dia 3 (quinta-feira), o relatório da KPMG será analisado por uma equipe técnica e devolvido para a empresa de consultoria para eventuais correções. No próximo dia 19 de março, ele será entregue à Justiça federal, onde um acordo judicial para a retomada da obra deverá ser celebrado.
Fonte - Diário de Cuiabá  27/02/2016