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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Condições climáticas dificultam combate a incêndios em Portugal

Internacional

O país vive um mês de devastação fora do normal, segundo especialistas. No Funchal, a principal cidade da Ilha, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas e dezenas de edificações foram destruídas pelo fogo. No continente, muitas cidades, principalmente no norte do país, estão sendo castigadas pelos incêndios.

Marieta Cazarré
Correspondente da Agência Brasil
foto - ilustração/José Coelho - Agencia Lusa
Incêndios em diversas cidades do país, tanto no continente quanto na Ilha da Madeira, vêm deixando um rastro de destruição e fumaça em Portugal nos últimos dias. O país vive um mês de devastação fora do normal, segundo especialistas. No Funchal, a principal cidade da Ilha, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas e dezenas de edificações foram destruídas pelo fogo. No continente, muitas cidades, principalmente no norte do país, estão sendo castigadas pelos incêndios.
As condições meteorológicas não têm colaborado com o trabalho de combate ao fogo. De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), entre às 6h da manhã do dia 8 de agosto e às 6h do dia 10, Funchal foi afetada por um clima excepcionalmente quente.
“Análise preliminar dos dados registrados indica que não têm comparação com o passado, em particular no que diz respeito às temperaturas mínimas registradas, desde 1949 (data em que tiveram início as observações, no Observatório Meteorológico do Funchal). Neste período de 48 horas, a temperatura do ar foi sempre superior a 28 °C: acima de 32 °C em 92 % do tempo. A temperatura mínima, extremamente alta, registrada no dia 9 de agosto, foi 29,6 °C, ficando 3,7 °C acima do anterior máximo, 25,9 °C, registrado no dia 12 de agosto de 1976”, diz o comunicado.
De acordo com o instituto, os próximos dias serão mais amenos, com temperaturas máximas entre 27 e 32 °C e mínimas entre 21 e 23 °C. Este agravamento das condições meteorológicas nos últimos dias levou a que o governo acionasse ontem o mecanismo europeu de proteção civil. A imprensa portuguesa divulgou que 3 aeronaves Canadair foram cedidas a Portugal (duas por Marrocos e uma pela Itália) para ajudar no combate aos incêndios.
No entanto, especialistas defenderam, em meios de comunicação locais, que o uso de aeronaves no combate aos incêndios na Madeira não é eficaz e não vale o investimento. O principal argumento é o de que os ventos fortes que atingem a região impedem que consigam se aproximar o suficiente das chamas e, desta maneira, operar com eficiência. O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, anunciou ontem (10) que vai solicitar um parecer técnico sobre a viabilidade da utilização de meios aéreos no combate aos incêndios na região.
De acordo com Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, cerca de 98% dos incêndios florestais têm origem humana. Só este ano, a polícia judiciária portuguesa já prendeu 26 incendiários.
De acordo com dados divulgados pela imprensa local, apenas entre os dias 1º e 9 de agosto deste ano, quase 26 mil hectares de floresta já foram queimados. Durante o ano de 2016, aproximadamente 32 mil hectares de floresta foram destruídos pelo fogo, enquanto que em anos anteriores, como em 2008, por exemplo, o número não chegou a 15 mil hectares consumidos por incêndios.
A Agência Brasil entrou em contato com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mas até o momento não obteve resposta. No site do instituto não há informações atualizadas sobre os territórios arrasados pelo fogo.
Fonte - Agência Brasil  11/08/2016

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Portugal em chamas - Continente e Ilha da Madeira registram incêndios

Internacional

De acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), 13 graves ocorrências de incêndio no continente foram registradas até as 12h (horário local) de hoje (10). Há ainda 121 ocorrências de incêndios rurais e 541 ocorrências em aberto.

Mariana Cazarré
Correspondente da Agência Brasil

José Coelho/Agencia Lusa
O calor e os fortes ventos registrados nos últimos dias têm contribuído para o alastramento dos focos de incêndio não apenas no continente, mas também, de maneira devastadora, no Funchal, capital do arquipélago da Madeira.
De acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), 13 graves ocorrências de incêndio no continente foram registradas até as 12h (horário local) de hoje (10). Há ainda 121 ocorrências de incêndios rurais e 541 ocorrências em aberto.
No Funchal, principal cidade da Ilha da Madeira, a situação é gravíssima, com três mortes já registradas, dois hospitais evacuados e mais de mil pessoas deslocadas. Na cidade, que tem 111 mil habitantes, os focos de incêndio estão ativos desde segunda-feira (8). A situação é tão extrema que o primeiro-ministro do país, António Costa, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, irão para o arquipélago ainda hoje.
António Costa afirmou que será feito um pré-alerta para ativar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e, caso a situação piore nos próximos dias, será acionado acordo bilateral com a Rússia.
Equipes de combate aos incêndios, compostas por bombeiros da Força Especial Bombeiros (FEB), do Grupo de Intervenção Proteção e Socorro da GNR (GIPS) e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), começaram a partir de Lisboa na noite de ontem (9). De acordo com a imprensa local, cerca de 110 homens devem ser enviados para reforçar o combate aos incêndios na ilha.
A Madeira recebe milhares de turistas nesta época do ano, verão na Europa. De acordo com Paulo Cafôfo, presidente da Câmara Municipal do Funchal (prefeito), há cerca de mil deslocados de casas e hotéis, entre residentes e turistas, alojados em diferentes locais da cidade, como centros cívicos e estádios esportivos.
De acordo com o prefeito, é impossível calcular quantas edificações já foram queimadas. Na noite de ontem, as chamas chegaram ao centro histórico da cidade, causando caos e pânico entre a população e desalojando centenas de pessoas.
Na Madeira, foi acionado o Plano Regional de Emergência e declarada situação de contingência, o que, na prática, significa a mobilização absoluta de todos os meios disponíveis.
Em Portugal continental, a situação também é grave. Segundo balanço da Proteção Civil, os incêndios de maior dimensão ocorrem nos distritos de Aveiro, Braga, Guarda, Porto e Viana do Castelo.
De acordo com informações da Polícia Judiciária de Portugal, apenas este ano já foram identificadas e presas 26 pessoas por autoria de crime de incêndio florestal.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) informou, em comunicado, que tem 500 militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) empenhados nas ações de combate aos incêndios florestais. Entre eles, 160 dão apoio a 23 meios aéreos em ações de primeira intervenção nos incêndios. Há também quatro grupos de ataque ampliado (três deles a combater incêndios em Viana do Castelo e um no distrito do Porto).
Fonte - Agência Brasil  10/08/2016