No Rio de Janeiro, a construção do VLT e a transformação trazida pelo projeto para a cidade não podem ser ação de um grupo político por um tempo específico. Trata-se de um planejamento de reorganização da mobilidade urbana de longo prazo que contou com o investimento de um parceiro privado, com o sacrifício dos comerciantes locais e com a paciência de toda a comunidade carioca, que ansiou pelo projeto. No entanto, a gestão atual vem descumprindo uma série de cláusulas contratuais e criou, recentemente, um impasse com a concessionária que gera insegurança jurídica para os investidores, e mina a expectativa deles enxergarem o Brasil e o Rio novamente como polos atrativos de negócios.
Roberta Marchesi*/ANPTrilhos
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foto - ilustração/arquivo |
Enquanto essa agenda prospera em alguns locais, outros agem no sentido contrário e insistem em penalizar o capital privado, desprezar parcerias relevantes em projetos de utilidade pública e forçar mudanças unilaterais nas regras pactuadas em contrato, mesmo que tenham sido celebradas de forma transparente.
No Rio de Janeiro, a construção do VLT e a transformação trazida pelo projeto para a cidade não podem ser ação de um grupo político por um tempo específico. Trata-se de um planejamento de reorganização da mobilidade urbana de longo prazo que contou com o investimento de um parceiro privado, com o sacrifício dos comerciantes locais e com a paciência de toda a comunidade carioca, que ansiou pelo projeto. No entanto, a gestão atual vem descumprindo uma série de cláusulas contratuais e criou, recentemente, um impasse com a concessionária que gera insegurança jurídica para os investidores, e mina a expectativa deles enxergarem o Brasil e o Rio novamente como polos atrativos de negócios.
Essa perspectiva de atração de investimentos fica cada vez mais distante quando contratos não são cumpridos. O que, no caso do VLT, ocorre há mais de um ano e fez a concessionária buscar a Justiça para a rescisão do contrato de concessão, algo inimaginável para um setor que tem forte atração ao investimento privado. Para se justificar, o prefeito utiliza dados incorretos e informações incompletas e hoje impede que o sistema cresça ao não autorizar a circulação da linha 3, pronta desde dezembro de 2018, e a racionalização das linhas de ônibus, por exemplo.
O VLT tem um modelo de concessão considerado ideal por especialistas e se tornou uma “vitrine” para outras cidades brasileiras e da América Latina, que têm buscado nesse sistema inspiração para o avanço de suas próprias redes de mobilidade. O sistema do VLT Carioca tem ainda alta taxa de satisfação dos usuários e baixíssimos índices de evasão e acidentes, ao contrário do que se especulou durante o período de implantação.
A consequência desse estrangulamento financeiro causado pela ineficiência da gestão municipal traz impacto negativo não só aos mais de 80 mil cidadãos que utilizam o diariamente o VLT, mas também à economia local, comprometendo o desenvolvimento de uma região importante da cidade.
O VLT é uma alternativa de transporte não poluente, rápida e segura. Capaz, inclusive, de influenciar a revitalização de áreas degradadas por meio da valorização imobiliária, atração de empresas e reocupação urbana, assim como acontece em cidades como Barcelona, Madrid e Paris. Mas nessas cidades, comprometimento público com os investimentos e os cidadãos é coisa séria!
* Roberta Marchesi é Diretora Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Mestre em Economia e Pós-Graduada nas áreas de Planejamento, Orçamento, Gestão e Logística.
Artigo publicado no Jornal O Dia, no dia 18 de setembro de 2019.
Fonte - ANPTrilhos 18/09/2019
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