quarta-feira, 26 de julho de 2017

Subvertendo a ordem das coisas

Ponto de Vista/Economia  ūüďČ

Os dias de hoje que correm tumultuados sob o imp√©rio dos rentistas neoliberais (apelidados de “mercado”).O “mercado” hoje, atrav√©s das medidas que exige e p√Ķe em pr√°tica, n√£o quer a amplia√ß√£o do pr√≥prio mercado, n√£o quer que a economia cres√ßa e age para obter fortes restri√ß√Ķes dos direitos dos trabalhadores e, portanto, de seus sal√°rios; quer juros e gest√£o.

Jo√£o Guilherme Vargas Netto - Portogente
foto - ilustração
Quando houve a liberta√ß√£o dos escravos as vendas de cal√ßados em todo o Imp√©rio deram um salto. Isso porque os escravos rec√©m-libertados correram ao com√©rcio com as posses que tinham para comprar tamancos, chinelos, sand√°lias e sapatos, j√° que enquanto escravos eram obrigados, com rar√≠ssimas exce√ß√Ķes, a andar descal√ßos, um estigma da escravid√£o (o que se pode ver nas fotos da √©poca).
Este é um exemplo de uma justa ação social de integração influenciando positivamente o mercado.
Quando Get√ļlio Vargas, no Estado Novo, determinou a nova legisla√ß√£o trabalhista da CLT com a carteira de trabalho, os fot√≥grafos populares viram aumentar a demanda de sua arte para confeccionar o retrato a ser estampado nas carteiras e depois, pelo novo h√°bito adquirido pelos trabalhadores, para retrat√°-los com suas fam√≠lias. Ler o cap√≠tulo do livro de Dorrit Harazim – O instante certo – intitulado “O clique √ļnico de Assis Horta”.
Esse é um outro exemplo de como uma medida social de avanço age positivamente sobre a atividade artística, um serviço do mercado.
Nem preciso falar do Bolsa Família e do aumento real do salário mínimo cujos efeitos positivos no mercado de massa são reconhecidos por todos.
Os dias de hoje que correm tumultuados sob o imp√©rio dos rentistas neoliberais (apelidados de “mercado”) nos fazem viver em um mundo no qual aquelas intera√ß√Ķes e consequ√™ncias s√£o subvertidas.
O “mercado” hoje, atrav√©s das medidas que exige e p√Ķe em pr√°tica, n√£o quer a amplia√ß√£o do pr√≥prio mercado, n√£o quer que a economia cres√ßa e age para obter fortes restri√ß√Ķes dos direitos dos trabalhadores e, portanto, de seus sal√°rios; quer juros e gest√£o.
Vejamos, sob este prisma, o efeito da deforma trabalhista. A argumentação do senador João Capiberibe (PSB-AP), que votou contra ela porque a acusou de recessiva faz sentido. Com salários arrochados e diminuídos, em uma situação de desemprego renitente, os trabalhadores não poderão comprar mais bens nem utilizar serviços acima da linha de subsistência e nem mesmo nessa; a fome vai voltar.
√Č a anula√ß√£o da sociabilidade, com a lente do “mercado” estreitando a imagem e subvertendo assim a ordem justa das coisas.
*Jo√£o Guilherme Vargas Netto, consultor sindical
Fonte - Portogente  26/07/2017

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