quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Bahia celebra 218 anos da Revolta dos Búzios

Cultura

No dia 12 de agosto de 1798 a capital baiana havia amanhecido com diversos manuscritos espalhados em prédios públicos, conclamando a população para uma revolta armada que, entre outros temas, defendia a proclamação da República, o fim da escravidão, redução de impostos, dentre outras pautas reivindicatórias. 

Da Redação
foto - ilustração/correionago
O movimento revolucionário baiano de 1798, mais conhecido como Revolta dos Búzios, completa 218 anos nesta sexta-feira (12), sendo destacado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e diversos órgãos da administração. A centenária é considerada uma das mais amplas das ocorridas no Brasil Colônia, do ponto de vista político, econômico e social.
A titular da Sepromi, Fabya Reis, informou que o governo estadual tem absorvido a data em sua agenda institucional, reforçando o trabalho protagonista do movimento negro pela preservação da memória e do legado da Revolta dos Búzios. “Nosso esforço, no diálogo com a sociedade civil, é consolidar cada vez mais um calendário neste sentido, reforçando o nosso ‘Agosto da Igualdade’. Temos potencializado atividades, debates e discussões sobre as políticas públicas para a população negra, considerando estes marcos históricos na luta racial. Assim, vamos difundindo os ideais de liberdade disseminados pelos líderes deste movimento reivindicatório”, destacou.
A gestora ressalta o edital Agosto da Igualdade como uma das principais iniciativas do Governo do Estado, neste contexto, cujas inscrições seguem abertas até a próxima segunda-feira (15). Este ano a Sepromi destinou R$ 280 milhões para a seleção de dez projetos com foco na preservação da história do movimento revolucionário, associados à Década Internacional Afrodescendente (2015-2024). Os detalhes do edital estão disponíveis no site da sepromi.ba.
O grande marco da Revolta dos Búzios foi a articulação de grupos mais pobres da população baiana para defender propostas que realmente os representassem. Foi uma das maiores manifestações populares comandadas por negros, mulatos e mestiços que lutavam pela democracia, exigindo direitos de igualdade de raça e de gênero para todos os brasileiros.

Perseguidos e condenados
Depois de perseguidos e condenados, um ano depois do início da Revolta dos Búzios, seus líderes foram executados publicamente, no local onde hoje está instalada da Praça da Piedade, na capital baiana. O título do movimento deve-se ao fato de que muitos ativistas usavam búzios presos a uma pulseira para facilitar a identificação entre si. A Revolta dos Búzios também é conhecida como Revolta dos Alfaiates, uma vez que seus representantes exerciam este ofício, Conjuração Baiana, dentre outros nomes.

Heróis do Brasil
Os nomes dos líderes (João de Deus do Nascimento – 38 anos, Lucas Dantas de Amorim Torres – 24 anos, Manuel Faustino Santos Lira – 18 anos e Luis Gonzaga das Virgens e Veiga – 36 anos) da manifestação foram inscritos no Livro de Aço dos Heróis Nacionais em 4 de março de 2011, mais de 200 anos após suas mortes, depois da sanção da Lei 12.391 pela então presidenta Dilma Rousseff.

Um dia emblemático
No dia 12 de agosto de 1798 a capital baiana havia amanhecido com diversos manuscritos espalhados em prédios públicos, conclamando a população para uma revolta armada que, entre outros temas, defendia a proclamação da República, o fim da escravidão, redução de impostos, dentre outras pautas reivindicatórias.
As publicações propagavam mensagens diversas, dentre elas, a mais emblemática: “Animai-vos, povo bahiense, que está para chegar o tempo feliz da liberdade. O tempo em que todos seremos irmãos. O tempo em que todos seremos iguais”.

Bandeira histórica
Uma réplica da bandeira da Revolta dos Búzios foi instalada na Praça da Piedade em dezembro do ano passado, sendo hasteada pelo governador Rui Costa, outras autoridades e lideranças representativas do movimento negro, atendendo a uma demanda histórica dos setores organizados da sociedade civil.
A instalação da bandeira é resultado de uma articulação das secretarias estaduais de Promoção da Igualdade Racial, de Comunicação (Secom) e da Cultura (Secult), além do bloco afro Olodum, visando contribuir para resgate da história da luta dos negros na Bahia e no Brasil. A Praça da Piedade já abriga os bustos dos mártires do movimento: Manuel Faustino, Lucas Dantas, João de Deus e Luís Gonzaga. Com duas faixas nas cores branca e azul, bem como uma estrela vermelha, a bandeira também tem a inscrição em latim “Surge, nec mergitur” (Apareça e não se esconda).

Prêmio Manuel Faustino
Em 2015 o Governo do Estado, através da Sepromi, também entregou o Prêmio Manuel Faustino, com o objetivo de estimular e divulgar experiências voltadas ao empoderamento político e social da juventude negra, inspiradas na trajetória de luta de um dos líderes da Revolta dos Búzios. A iniciativa contemplou organizações da sociedade civil e seus projetos desenvolvidos junto ao segmento juvenil.
A Sepromi destinou, por meio do prêmio, um total de R$ 70 mil. Além disso, foram lançados catálogo impresso e um documentário, contendo narrativas e depoimentos das pessoas envolvidas no projeto. O concurso integrou as ações do Plano Juventude Viva na Bahia, direcionado ao enfrentamento à violência contra o segmento.
Com informações da Secom Ba.  11/08/2016

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