sábado, 7 de maio de 2016

Começa a Onda Global de ações pedindo liberdade dos combustíveis fósseis

Meio ambiente

Maior momento de desobediência civil na história do movimento ambiental.Uma onda global de ações pacíficas com duração de 12 dias atingirá seis continentes até o dia 15 de maio, tendo como alvo os mais perigosos projetos de combustíveis fósseis do mundo, sob o mote da liberdade.

Revista Amazônia

2015 foi o ano mais quente já registrado e os impactos das mudanças climáticas já estão atingindo inúmeras comunidades ao redor do mundo. Da elevação do nível do mar a tempestades extremas, a necessidade de agir sobre as mudanças climáticas nunca foi tão urgente. Some-se a isso o fato de que o setor de combustíveis fósseis enfrenta uma crise sem precedentes – preços em colapso, desinvestimentos maciços, um novo acordo climático global e um movimento crescente pedindo mudança. O clima nunca foi melhor para uma transição justa para um sistema energético limpo.
Para aproveitar o momento, ativistas e cidadãos interessados e comprometidos com o combate às mudanças climáticas – de grupos internacionais até comunidades locais e cidadãos individuais – irão se unir para assegurar que uma forte pressão seja mantida para forçar os fornecedores de energia, bem como os governos locais e nacionais, a implementar as políticas e investimentos adicionais necessários para libertar o mundo dos combustíveis fósseis.
Pessoas do mundo inteiro estão assumindo a necessária liderança, intensificando ações através de uma desobediência civil pacífica em escala global já que ainda há muito a ser feito para diminuir os efeitos da crise climática. Isso inclui exigir que os governos mexam-se após os compromissos assumidos no âmbito do acordo de Paris, assinado no mês passado.
A fim de equacionar a crise climática atual e manter o aquecimento global abaixo de 1.5C, os projetos de combustíveis fósseis precisam ser arquivados e a infra-estrutura existente precisa ser substituída agora que a energia renovável é mais acessível e difundida do que nunca. A única maneira de se conseguir isso é manter o carvão, petróleo e gás no chão e acelerar a mudança para energias 100% renováveis. Durante o Liberte-se, pessoas de todo o mundo estão se manifestando para para garantir que este seja o caso.

Ações que ocorrerão entre 3 e 15 de maio:

Brasil: as ações acontecerão em 3 locais. Entre 5 e 15 de maio, haverá uma feira rural em Maringá (PR), que incluirá um grande comício no dia 6 pedindo a proibição do fracking. Em 7 de maio, em Toledo (PR), haverá uma ação massiva anti-fracking com milhares de pessoas presentes. E no dia 14 de maio haverá uma marcha de desobediência civil tendo por alvo uma usina de carvão em Pecém (CE).

África do Sul: duas ações serão realizadas, cada um com centenas de pessoas destacando os impactos locais do carvão e as alterações climáticas. A primeira, em 12 de maio, vai reunir pessoas em Emalahleni Witbank, uma das cidades mais poluídas do mundo, para falar sobre os efeitos das mudanças climáticas. A segunda, em 14 de Maio, está focada na residência dos Gupta em Saxonwold, Johannesburg.

Alemanha: durante o fim de semana de 13-15 de Maio, alguns milhares de ativistas devem se reunir em Lusatia, onde irão se envolver em um ação de desobediência civil para parar a escavação de uma das maiores minas de lenhite a céu aberto da Europa, que a empresa sueca Vattenfall colocou à venda. A ação irá mostrar a eventuais futuros compradores que qualquer investimento em carvão enfrentará resistência e demonstrará o compromisso do movimento contra as empresas de combustíveis fósseis.

Austrália: em 8 de Maio, mais de 600 pessoas vão se reunir no maior porto de carvão do mundo, em Newcastle. Elas irão demonstrar sua vontade de tornar o clima em uma questão-chave nas próximas eleições e mostrar sua determinação em continuar resistindo ao carvão, independente de quem esteja na cadeira de primeiro-ministro.

Canadá: nos dias 13 e 14 de maio, centenas de pessoas vão promover ações em terra e na água em Vancouver para mostrar sua oposição ao projeto do oleoduto Kinder Morgan Transmountain de areias betuminosas nos arredores do terminal de Westridge Marinha.

Equador: uma ação está sendo organizada em 14 de maio por Yasunidos, aproximando pessoas de todo o país com uma chamada para manter o óleo no chão e proteger o Parque Nacional Yasuní.

Estados Unidos: em todo o país, ativistas dos EUA terão como alvo seis áreas-chave do desenvolvimento dos combustíveis fósseis entre 12-15 maio. Esses alvos incluem os novos gasodutos de combustíveis extraídos das areias betuminosas no Centro-Oeste, em ação perto de Chicago; fracking na Mountain West, com um evento nos arredores de Denver; ‘trens bomba’ que transportam petróleo e gás de fracionamento hidráulico para um porto em Albany, NY; a devastadora poluição da refinaria da Shell e Tesoro ao norte de Seattle; ação em torno de perfuração offshore na costa do Ártico, Atlântico e do Golfo, a ser realizada em Washington, DC; e a perigosa perfuração de óleo e gás em Los Angeles.

Filipinas: em 4 de maio, ativistas anti-carvão de todas as Filipinas irão convergir em uma marcha climática que visa mobilizar 10.000 pessoas em Batangas City, onde a JG Summit Holdings pretende instalar uma usina movida a carvão de 600 megawatts que deverá ocupar uma área de 20 hectares em Barangay Pinamucan Ibaba, Batangas City. As pessoas exigirão o cancelamento dessa planta de carvão em Batangas, bem como todas as outras 27 usinas propostas nas Filipinas.

Indonésia: haverá uma ação em massa com milhares de pessoas no palácio presidencial em Jacarta em 11 de maio. Ela vai reunir participantes de muitas das comunidades que lideram a resistência a projetos de carvão em todo o país. A mobilização terá como alvo o presidente Joko Widodo, exigindo que ele reveja seu ambicioso plano de energia de 35.000 megawatts, afastando-se do carvão e aderindo às energias renováveis. Poucos dias depois, haverá uma ou mais ações nos locais dos projetos de infraestrutura de carvão.

Nigéria: as ações acontecerão em três locais emblemáticos do Delta do Níger para mostrar o que acontece quando o óleo acaba e à comunidade resta a poluição e nada da riqueza. Uma ação em terra Ogoni vai exigir uma limpeza urgente das décadas de vazamentos de petróleo e destacar como é possível que os cidadãos resistam ao poder das empresas de petróleo e mantenham-no no solo onde ele pertence. Outra ação será na costa do Atlântico, onde poços offshore da Exxon frequentemente vazam, impactando a pesca de impacto e prejudicando os meios de subsistência das comunidades do litoral.

Nova Zelândia: entre 4 e 15 de maio, centenas de pessoas em todo o país vão agir para encerrar as operações de um dos maiores investidores e credores da indústria de combustíveis fósseis, o banco ANZ. Haverá bloqueios, ações disruptivas e culturais de Norte a Sul.

Reino Unido: o Reclaim The Power reuniu centenas de pessoas no dia 3 de Maio na maior mina de carvão a céu aberto do Reino Unido – Ffos-y-fran, perto de Merthyr Tydfil, no sul de Gales. A ação aconteceu alguns dias antes das eleições para a Assembleia galesa, realizada em 5 de maio. O Assembleia de Gales votou a favor de uma moratória sobre a mineração de carvão a céu aberto em abril passado, mas isso ainda tem de se tornar juridicamente vinculativo.

Turquia: líderes comunitários conduzirão uma ação em massa em Aliağa no dia 15 de Maio, em um local de resíduos de carvão, para pedir um fim de 4 projetos de usinas movidas a combustíveis fósseis na área circundante. Esta ação irá unir várias campanhas contra usinas à carvão em uma posição unificada contra o atual plano do governo turco de expandir dramaticamente o uso de carvão no país.

REPERCUSSÃO:
“Ao apoiar campanhas e ações de massa que visam impedir os projetos de combustíveis fósseis mais perigosos do mundo – das usinas de carvão na Turquia e Filipinas, a minas na Alemanha e na Austrália até o fracking no Brasil e os poços de petróleo na Nigéria – o movimento Liberte-se dos Combustíveis Fósseis espera eliminar o poder e a poluição da indústria de combustíveis fósseis e impulsionar o mundo rumo a um futuro sustentável”,May Boeve, Diretora Executiva, 350.org
“Nunca houve uma onda maior e mais orquestrada de ações contra os planos da indústria de combustíveis fósseis para superaquecer nossa terra – e em prol do mundo justo, justo e sustentável que almejamos. No ano mais quente já registrado, nós estamos determinado a direcionar o calor político sobre os maiores poluidores do planeta”, Bill McKibben, co-fundador da 350.org
“As comunidades na linha de frente das mudanças climáticas não estão esperando pelos governos a agir. Elas estão tomando medidas ousadas e o mundo precisa ouvir. O Acordo de Paris só foi possível porque milhões de pessoas passaram anos lutando por justiça climática. Agora que os governos se comprometeram a agir, devemos nos certificar de que eles sigam a ciência e cumpram suas palavras. A única maneira de sobreviver às mudanças climáticas é através de uma transição justa e rápida para 100% de energias renováveis, mantendo petróleo, carvão e gás no subsolo”, Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace International
“Comunidades em todas as Filipinas estão exigindo que o governo cancele todos os planos, licenças e esforços para abrir novas usinas e minas de carvão nas Filipinas, e dão passos decisivos para a progressiva eliminação das já existentes. Precisamos tomar medidas importantes, a fim de nos libertarmos dos combustíveis fósseis e de todas as fontes de energia prejudiciais. A transição completa para as energias renováveis não é apenas possível, mas urgente”, Lidy Nacpil, coordenadora do Asian Peoples Movement on Debt and Development (APMDD) e Co-Coordenadora da Global Campaign to Demand Climate Justice
“Liberte-se dos Combustíveis Fósseis é um voto para a vida e para o planeta. O Acordo de Paris, assinada pelos líderes mundiais, ignora o fato de que a queima de combustíveis fósseis é o principal culpado no aquecimento global. Nestas ações, povos de todo o mundo insistirão que nós devemos nos livrar do vício dos combustíveis fósseis. Na Nigéria, vamos além, levantando nossas vozes para exigir uma limpeza da poluição extrema causada por companhias petrolíferas que operam no Delta do Níger”, Nnimmo Bassey, ativista nigeriano da Health of Mother Earth Foundation
“A humanidade está atualmente em uma encruzilhada onde precisa optar por continuar pelo caminho destrutivo da extração de combustíveis fósseis ou mudar para formas sustentáveis de vida. O que precisamos é de projetos de energias renováveis ambiciosos, não de mais oleodutos de areias betuminosas. Esses dutos não têm o apoio das comunidades locais e das nações indígenas que irão afetar. Se continuarmos a construir infra-estrutura para combustíveis fósseis, nós estaremos quebrando nossa promessa de fazer a nossa parte no Canadá para conter a crise climática global que já está sendo sentida pelas comunidades todos todo o planeta “, Melina Laboucan-Massimo, Lubicon Cree First Nation, ativista de cima e energia do Greenpeace Canadá membro do conselho da 350.org
“O movimento de justiça climática global está aumentando rapidamente. Mas os oceanos também. Assim como as temperaturas globais. Esta é uma corrida contra o tempo. Nosso movimento é mais forte do que nunca, mas para vencer as adversidades, temos que nos tornar ainda mais fortes”, Naomi Klein, premiado jornalista / autor
“O poder das pessoas em nossas cidades, nas nossas aldeias e na linha de frente das mudanças climáticas nos trouxeram a um ponto em que temos um acordo global do clima – mas não podemos parar agora, precisamos de mais ação e mais rapidamente. A sociedade civil está decidida a se levantar novamente para lutar por nossas sociedades e as libertar dos combustíveis fósseis, para levá-las ainda mais rapidamente rumo a um futuro movido por 100% de energias renováveis “, Wael Hmaidan, Diretor of Climate Action Network
“Usinas de combustíveis fósseis causam danos extremos para as comunidades e ecossistemas locais. Elas também são um perigo para o país e todo o planeta, uma vez que são um dos principais contribuintes para a mudanças climáticas. É imoral onerar as gerações futuras com o custo das escolhas energéticas equivocadas feitas hoje. É hora de acabar com a era dos combustíveis fósseis “, Dom Ramon Arguelles, Arcebispo da Arquidiocese de Lipa nas Filipinas
Fonte - Revista Amazônia  07/05/2016

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