terça-feira, 1 de agosto de 2017

Debate sobre a mulher negra no mercado de trabalho encerra a campanha Julho das Pretas

Igualdade   👐

O debate “Mulher Negra no Mundo do Trabalho e nos Espaços de Poder” marcou o último dia de atividades do Julho das Pretas, ação em homenagem ao Dia da Mulher Negra Afro –Latino - Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. O evento foi realizado nesta segunda-feira (31), no auditório do Ministério Público (MPBA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e contou com a participação de mulheres que conseguiram romper a barreira do preconceito

Da Redação
foto - Paula Fróes/GOVBA
As dificuldades encontradas pelas mulheres negras no mercado de trabalho podem se manifestar nos detalhes. “Foi uma entrevista que eu fiz para trabalhar na área financeira, quando estava fazendo a graduação e, quando eu estava sendo questionada sobre as minhas habilidades, veio uma pergunta a respeito do meu cabelo”, contou a contabilista Ana Paula Ferreira.
Ana Paula usava tranças compridas, no estilo afro e, se sentiu incomodada, pois as tranças não tinham nenhuma relação com a sua competência profissional. Hoje ela vê o cenário se modificando em relação a aceitação do cabelo afro. “É bastante gratificante quando a gente vê mulheres negras, com seu visual ‘black power’ sendo aceito. Poucas, mas eu vejo mais do que naquela época”, acrescentou.
O debate “Mulher Negra no Mundo do Trabalho e nos Espaços de Poder” marcou o último dia de atividades do Julho das Pretas, ação em homenagem ao Dia da Mulher Negra Afro –Latino - Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. O evento foi realizado nesta segunda-feira (31), no auditório do Ministério Público (MPBA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e contou com a participação de mulheres que conseguiram romper a barreira do preconceito. Dentre elas, a secretária do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Olívia Santana.
“Temos avanços importantes no que diz respeito à conscientização das mulheres negras. Hoje existe uma onda forte feminista no Brasil marcadamente negra. A gente pode dizer que a quarta onda feminista é feita principalmente por mulheres negras. Entretanto, nós ainda temos uma sub-representação. Por isso que nós estamos fazendo este debate”, declarou a secretária, que também falou da sua própria trajetória. “Fui vereadora por 10 anos, hoje estou secretária da Setre e esta é primeira vez que esta pasta é ocupada por uma mulher negra em 50 anos de existência. A nossa responsabilidade é grande no sentido de dar o salto que pode impulsionar essa agenda”, completou a secretária.
Para ampliar a discussão sobre o tema e inspirar o público presente, o debate trouxe como convidadas mulheres negras que conseguiram superar as limitações impostas pela sociedade e hoje exercem funções de destaque. Doutora em psicologia social e atual secretária de Cultura do Rio de Janeiro (RJ), Nilcemar Nogueira. “Nós temos uma trajetória que serve de exemplo para encorajar outras mulheres a ousarem”, disse a secretária, que também é sambista e neta do cantor e compositor Cartola.
A jornalista Flávia Oliveira, trabalha na cobertura de economia e também deu sua contribuição. “Sem dúvida para qualquer mulher negra não é fácil, sobretudo a mobilidade social em profissões de nível superior. O Brasil se acostumou a ver mulheres negras em funções, posições e rendas mais baixas e subalternas. O que queria trazer para a reflexão das mulheres negras da Bahia é a aspiração de ocupar novos espaços’, disse a jornalista.
Apesar dos avanços, as mulheres negras são as mais vulneráveis. De acordo com análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, (Dieese), elas exercem ocupações com menor proteção social, sem carteira assinada, no emprego doméstico ou como terceirizadas, em geral no setor de limpeza. “Infelizmente quando se trata de mercado de trabalho e atribuições mais qualificadas, as mulheres negras ainda estão muito pouco representadas. Quando a gente vê as taxas de desemprego, os empregos mais precários, a gente sempre vê a mulher negra super representada”, explicou a superintendente técnica do Dieese, Ana Georgina Dias.
Para a juíza federal, Adriana Cruz, a legislação vigente precisa ser aplicada com mais rigor. “Nós temos uma legislação antirracismo que deveria proteger essa mulheres. Eu acho que o problema no Brasil hoje não é, necessariamente, de ausência de legislação, mas de efetividade nessa legislação. Nós temos um déficit democrático em termos de aplicação, precisamos estabelecer discussões profundas no âmbito do judiciário, do Ministério Público, das defensorias. Uma sensibilização para as questões específicas que dizem respeito a essa população”, afirmou a titular da 5ª Vara Criminal Federal do RJ.
A mesa de debate contou ainda com as participações das secretárias Julieta Palmeira e Fabya Reis, das Secretarias de Políticas para as Mulheres (SPM) e da Promoção da Igualdade racial (Sepromi), respectivamente. A procuradora geral de Justiça, Ediene Santos Lousada e procuradora Márcia Virgens também contribuíram com as discussões.
Com informações da Seco Ba. 31/07/2017

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