sexta-feira, 12 de maio de 2017

Uma usina solar no deserto no Marrocos pretende abastecer a Europa

Energia Solar  ūüí°

O enorme complexo est√° em um local ensolarado ao p√© da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa “porta do deserto”. Com cerca de 330 dias de sol por ano, √© o lugar ideal.Al√©m de suprir as demandas dom√©sticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar para a Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energ√©tico da √Āfrica e do mundo.

Revista Amaz√īnia
foto - divulgação
Em uma regi√£o onde a terra √© seca e cheia de rachaduras, o lugar quase n√£o tem √°gua, virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo, e est√° localizada no deserto de Marrocos. Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um √īnibus, est√£o enfileirados cobrindo 1,4 km² de deserto, uma √°rea do tamanho de 200 campos de futebol.
O enorme complexo est√° em um local ensolarado ao p√© da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa “porta do deserto”. Com cerca de 330 dias de sol por ano, √© o lugar ideal.
Al√©m de suprir as demandas dom√©sticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar para a Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energ√©tico da √Āfrica e do mundo.
No dia da visita da reportagem da BBC, por√©m, o c√©u estava coberto de nuvens. “Nenhuma eletricidade ser√° produzida hoje”, disse Rachid Bayed, da Ag√™ncia Marroquina de Energia Solar (Masen, na sigla em ingl√™s), respons√°vel por implementar o projeto.
Um dia de “folga” n√£o os preocupa. Atualmente, a energia solar est√° sendo adotada por v√°rios pa√≠ses que passaram a v√™-la como a mais abundante fonte de energia limpa.
Essa usina marroquina √© apenas uma entre v√°rias outras na √Āfrica, e outras parecidas est√£o sendo constru√≠das no Oriente M√©dio, na Jord√Ęnia, nos Emirados √Ārabes Unidos e na Ar√°bia Saudita. O custo cada vez menor da energia solar a tornou uma alternativa vi√°vel mesmo nas regi√Ķes mais ricas em petr√≥leo do mundo.
Noor 1, a primeira fase da usina marroquina, j√° ultrapassou expectativas em termos de quantidade de energia produzida. √Č um resultado encorajador para o objetivo do Marrocos de reduzir a produ√ß√£o de combust√≠veis f√≥sseis ao focar em energias renov√°veis e ainda assim atender √†s necessidades dom√©sticas, que crescem em 7% todos os anos.
A estabilidade do governo e da economia do Marrocos ajudou o país a conseguir investimento da União Europeia, que financiou 60% dos custos do projeto Ouarzazate.
O país planeja gerar 14% de sua energia através do sol até 2020 e acrescentar outras fontes renováveis como vento e água ao plano com o objetivo de produzir 52% de sua própria energia até 2030.
Isso torna o Marrocos mais ou menos alinhado com países como o Reino Unido, que quer gerar 30% de sua eletricidade através de energias renováveis até o fim da década, e os Estados Unidos, onde o ex-presidente Barack Obama havia determinado índice de 20% até 2030.
Donald Trump amea√ßou cortar o financiamento √†s energias renov√°veis, mas talvez suas a√ß√Ķes n√£o tenham grande impacto, j√° que muitas pol√≠ticas s√£o controladas por Estados e que grandes companhias j√° come√ßaram a adotar fontes mais limpas e baratas.
Os refletores da usina geralmente podem ser ouvidos enquanto eles se movem para seguir o sol como um campo gigantesco de girassóis. Os espelhos filtram a energia do sol e esquenta um óleo sintético que segue por uma rede de canos.
As temperaturas podem chegar a 350 ¬ļC e o √≥leo quente √© usado para produzir vapores de √°gua em alta temperatura, alimentando um gerador movido a turbinas. “√Č o mesmo processo dos combust√≠veis f√≥sseis, s√≥ que usamos o calor do sol como fonte”, diz Bayed.
A usina continua gerando energia mesmo ap√≥s o p√īr do sol, quando a demanda chega ao pico. Parte dessa energia √© guardada em reservat√≥rios feitos de nitrato de s√≥dio e pot√°ssio, o que mant√©m a produ√ß√£o por at√© mais tr√™s horas. Na pr√≥xima fase da usina, a produ√ß√£o continuar√° por at√© oito horas ap√≥s o sol se p√īr.
Além de aumentar a produção de energia do Marrocos, o projeto Ouarzazate está ajudando a economia local. Cerca de 2 mil funcionários foram contratados durante os dois anos iniciais da construção, sendo que muitos deles são marroquinos.
Estradas foram construídas para criar acesso à planta e conectá-la às cidades mais próximas, ajudando as crianças a chegar até a escola. Além disso, uma grande quantidade de água foi levada ao complexo através de encanamentos, dando acesso a água para mais 33 vilarejos.
Masen também ensinou práticas sustentáveis a fazendeiros da área. No pequeno vilarejo de Asseghmou, a 48 km da cidade de Ouarzazate, a forma como ovelhas são criadas mudou.
A maioria dos fazendeiros ali dependiam apenas de sua experiência, mas agora estão entrando em contato com técnicas mais confiáveis, como simplesmente separar os animais em suas gaiolas, o que está aumentando a produtividade.
A Masen tamb√©m doou ovelhas para cria√ß√£o a 25 fazendas. “Agora eu tenho mais seguran√ßa nos alimentos”, diz Chaoui, dono de uma fazenda local. E sua amendoeira est√° prosperando gra√ßas √†s dicas de cultivo.
Ainda assim, alguns locais se preocupam com a usina. Abdellatif, que viva na cidade de Zagora, 120 quil√īmetros ao sul dali, onde h√° taxas mais altas de desemprego, acha que Masen deveria se concentrar em criar empregos permanentes.
Ele tem amigos que foram contratados para trabalhar l√°, mas apenas por alguns meses. Uma vez que entrar em opera√ß√£o total, a usina empregar√° entre 50 e 100 funcion√°rios, apenas. “Os componentes da usina s√£o feitos no exterior, mas seria melhor produzi-los aqui para gerar trabalho cont√≠nuo para os moradores locais”, diz.
Um problema maior √© a enorme quantidade de √°gua que a usina utiliza da represa de El Mansour Eddahbi. Nos √ļltimos anos, a escassez de √°gua tem sido um problema na regi√£o semides√©rtica e houve cortes no fornecimento.
A agricultura ao sul do Vale Draa depende da água da represa -ocasionalmente despejada no rio local, que geralmente é seco. O coordenador da usina, Mustapha Sellam, diz que a água usada pelo complexo representa 0,05% do abastecimento, pouco comparado à sua capacidade.
Ainda assim, o consumo da usina √© o bastante para fazer uma diferen√ßa na vida dos fazendeiros locais, que j√° enfrentam dificuldades. √Č por isso que a usina est√° tentando reduzir a quantidade de √°gua que consome, utilizando ar pressurizado para limpar os espelhos.
Além disso, a água usada para resfriar o vapor produzido pelos geradores é reutilizada para produzir mais eletricidade.
H√° novas sess√Ķes da usina em constru√ß√£o no momento. A Noor 2 ser√° parecida com a 1, mas a 3 ter√° um design diferente. Em vez de espelhos enfileirados, ela vai capturar e guardar a energia solar atrav√©s de uma torre √ļnica, que acredita-se ser mais eficiente.
Sete milhares de espelhos retos serão dispostos ao redor da torre para capturar e refletir os raios de sol em direção a um capturador no topo dela, usando menos espaço do que as filas de espelhos exigem hoje. Sais derretidos no interior da torre vão capturar e armazenar o calor diretamente, sem a necessidade do óleo quente.
Sistemas parecidos j√° est√£o em uso na √Āfrica do Sul, na Espanha e em alguns lugares nos Estados Unidos, como no deserto Mojave, na Calif√≥rnia, e em Nevada. Mas, com uma altura de 26 metros, a estrutura de Ouarzazate ser√° a mais alta do tipo no mundo inteiro.
Outras usinas similares est√£o em constru√ß√£o no Marrocos. O sucesso dessas usinas no Marrocos e na √Āfrica do Sul podem incentivar outros pa√≠ses africanos a adotar a energia solar.
A √Āfrica do Sul j√° entrou na lista dos dez maiores produtores de energia solar do mundo, e Ruanda tem a primeira usina do tipo no leste africano, criada em 2014. H√° tamb√©m planos de constru√ß√£o de usinas solares em Gana e Uganda.
O sol da √Āfrica pode um dia transformar o continente em um exportador de energia para o resto do mundo. Ao menos Sellam tem grandes expectativas em rela√ß√£o a Noor. “Nosso principal objetivo √© a independ√™ncia energ√©tica, mas, se um dia estivermos produzindo a mais, podemos suprir outros pa√≠ses”, diz.
Fonte - Revista Amaz√īnia  12/05/2017

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