sexta-feira, 5 de maio de 2017

Os Estados Unidos ainda espionam o Brasil, diz especialista americano

Internacional  ūüĎÄ

Quase quatro anos após o incidente diplomático envolvendo espionagem do governo dos Estados Unidos contra o Brasil, é muito provável que os norte-americanos continuem a espionar a política e a economia brasileira, de acordo com o jornalista norte-americano James Bamford.

Sputnik
© flickr.com/ Patrick Foto - Sputnik
Em entrevista exclusiva √† Sputnik Brasil, o especialista que escreve h√° 35 anos sobre √≥rg√£os de intelig√™ncia do seu pa√≠s, incluindo a Ag√™ncia de Seguran√ßa Nacional (NSA), avaliou que √© “prov√°vel” que a Casa Branca ainda esteja interessada em dados do mundo pol√≠tico e econ√īmico brasileiro.
“Eu acho que provavelmente [a espionagem] ainda continua. Eu me lembro quando aquilo aconteceu [em 2013], que havia esse plano da NSA de espalhar ‘malwares’ por todo o Brasil”, disse Bamford, em refer√™ncia aos documentos divulgados pelo ex-funcion√°rio da NSA, Edward Snowden, que davam detalhes sobre os m√©todos de espionagem dos norte-americanos.
“Os documentos divulgados por Edward Snowden mostraram que o plano era espalhar ‘malwares’ por todo o mundo, desde pa√≠s nos quais voc√™ esperaria como R√ļssia, China e Coreia do Norte, mas tamb√©m em pa√≠ses amigos dos Estados Unidos como o Brasil”, relembrou o jornalista, que est√° no Brasil para o evento CryptoRave, em S√£o Paulo.
Em 2013, documentos divulgados por Snowden mostravam que Washington tinha acesso √†s comunica√ß√Ķes – redes de telefonia, Internet, servidores de e-mail e redes sociais – da ent√£o presidente Dilma Rousseff (PT) e seus principais assessores. O epis√≥dio fez com que a petista cancelasse uma viagem para se encontrar com o ent√£o presidente dos EUA, Barack Obama.
No come√ßo foi dif√≠cil, quando foi descoberto isso a presidente Dilma Rousseff se recusou a vir √† Casa Branca para uma jantar oficial, o que √© uma decis√£o de momento. As rela√ß√Ķes melhoraram quando os Estados Unidos disseram que iriam diminuir o n√≠vel de espionagem que estavam fazendo. De uma forma ou outra as rela√ß√Ķes melhoraram de l√° para c√°”, analisou Bamford.
Embora a NSA e a Casa Branca tenham se comprometido a diminuir os n√≠veis de intercepta√ß√Ķes, o especialista cr√™ que um pa√≠s como o Brasil sempre estar√° no radar da atua√ß√£o da ag√™ncia.
“Os Estados Unidos est√£o sempre interessados no que outros pa√≠ses est√£o fazendo. E no Brasil especialmente, que √© um pa√≠s muito importante na Am√©rica do Sul. O que acontece no Brasil afeta muito o que acontece nos demais pa√≠ses da regi√£o. Os Estados Unidos est√£o interessados nos aspectos pol√≠ticos e econ√īmicos do Brasil, acredito que seja por isso que eles fizeram o que fizeram”.

Guerra cibernética
O cenário de espionagem cibernética não se resume a Estados Unidos e Brasil. Questionado se o planeta hoje vê em andamento uma guerra cibernética na rede mundial de computadores, Bamford disse acreditar que esse conflito existe e afeta a todos que estão conectados, de uma maneira ou de outra, com a Internet. E Washington está no centro disso.
“Neste momento os Estados Unidos s√£o o principal envolvido em guerras virtuais, j√° que √© o √ļnico pa√≠s que realmente atacou outro pa√≠s para destruir a sua infraestrutura f√≠sica, como aconteceu quando houve o ataque contra o Ir√£ e suas instala√ß√Ķes [entre 2010 e 2011, os EUA criaram um v√≠rus chamado Stuxnet, que infectou os sistemas de opera√ß√£o de uma usina de enriquecimento de ur√Ęnio iraniana localizada em Natanz, inutilizando cerca de 1.000 das 5.000 centrifugas em opera√ß√£o]”.
Ainda segundo o jornalista, o principal objetivo de conflitos virtuais √© destruir estruturas f√≠sicas reais. “Mas h√° outros tipos de ataques acontecendo. Os Estados Unidos acusam os russos de ataques, de invas√Ķes de e-mails e a divulga√ß√£o dos mesmos, ent√£o se isso for verdade √© um outro tipo de guerra virtual em andamento. Outros se focam no roubo de dados e assim por diante”.
Falando nos russos, Bamford minimizou o coment√°rio feito nesta semana pelo diretor do FBI James Comey, que afirmou que a R√ļssia “√© a maior amea√ßa para qualquer pa√≠s no mundo”, em refer√™ncia ao suposto envolvimento do Kremlin com a corrida presidencial dos Estados Unidos no ano passado.
“Acho que qualquer pa√≠s que possua uma capacidade cibern√©tica muito sofisticada representa um perigo. Veja os Estados Unidos como foram perigosos quando atacaram o Ir√£. E o Ir√£ contra-atacou os Estados Unidos por conta disso. A R√ļssia possui uma capacidade cibern√©tica vibrante e eles podem ser considerados perigosos, assim como outros pa√≠ses tamb√©m podem”, afirmou.
Dentro dos Estados Unidos, a quest√£o da espionagem e intercepta√ß√£o de dados ainda gera controv√©rsias. Dados oficiais divulgados nesta semana apontam que a NSA teve acesso a 151 milh√Ķes de registros telef√īnicos apenas em solo norte-americano em 2016, embora tivesse autoriza√ß√£o judicial para interceptar apenas 42 suspeitos de terrorismo.
“Eu acho que isso surpreendeu muita gente porque depois que a NSA diminuiu o tamanho da espionagem nos Estados Unidos, h√° ainda uma quantidade muito grande de dados interceptados pela ag√™ncia”, comentou Bamford, que disse ainda que tal a√ß√£o de intelig√™ncia tem, inevitavelmente, impacto sobre outros pa√≠ses.
“O que se deve ter em mente √© que se h√° esse tamanho de comunica√ß√£o interceptada nos Estados Unidos, onde existem leis r√≠gidas, voc√™ pode imaginar o tamanho das intercepta√ß√Ķes em pa√≠ses como o Brasil, que n√£o possuem leis t√£o r√≠gidas. A maneira com que as comunica√ß√Ķes funcionam [no mundo], boa parte dos equipamentos como cabos para todas as partes do mundo, passam pelos Estados Unidos, ent√£o existe uma grande oportunidade a√≠ para a NSA atuar”.

‘Fake news’
Um outro aspecto da guerra cibern√©tica em andamento √© a difus√£o de not√≠cias falsas, as populares ‘fake news’. Na opini√£o de Bamford, o fen√īmeno √© muito dif√≠cil de ser vencido, sobretudo por n√£o ser crime em pa√≠ses como os Estados Unidos a produ√ß√£o de not√≠cias falsas. Mas h√° como combat√™-lo, de acordo com o jornalista.
“√Č muito dif√≠cil de derrotar por conta das leis, como as que envolvem liberdade de express√£o nos Estados Unidos. N√£o √© contra a lei criar not√≠cias falsas, por mais bobo que isso possa parecer. Ent√£o eu acho que √© poss√≠vel diminuir, mas n√£o eliminar. Acho que as pessoas precisam ser mais inteligentes com o que elas leem ou entendem, mas n√£o acho que as not√≠cias falsas v√£o desaparecer em um futuro pr√≥ximo”, concluiu.
Fonte - Sputnik  05/05/2017

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