segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

BRT do Rio após cinco anos funciona mal e continua apresentando problemas

Mobilidade/BRT ūüöĆ

Um dos principais motivos de reclama√ß√£o, a superlota√ß√£o poderia ter sido amenizada se a prefeitura tivesse cumprido a promessa de concluir a rede e reestruturar esta√ß√Ķes de movimento intenso.Mas ainda nem h√° prazo para as melhorias.De 6h √†s 10h e de 16h √†s 21h, √© superlotado.

Gustavo Ribeiro - O Dia
foto - ilustração/arquivo
Quase cinco anos ap√≥s a inaugura√ß√£o do primeiro BRT do Rio, o Transoeste, problemas identificados desde os primeiros meses de opera√ß√£o continuam tornando o ir e vir di√°rio de grande parte dos 344 mil passageiros do sistema mais estressante. Um dos principais motivos de reclama√ß√£o, a superlota√ß√£o poderia ter sido amenizada se a prefeitura tivesse cumprido a promessa de concluir a rede e reestruturar esta√ß√Ķes de movimento intenso. Mas ainda nem h√° prazo para as melhorias.
“De 6h √†s 10h e de 16h √†s 21h, √© superlotado. Voc√™ chega ao terminal Alvorada domingo, √© um tumulto. Vou e volto espremida todos os dias”, reclama a cabeleireira Elaine Ganga, 42, que mora em Campo Grande e trabalha no Recreio. A falta de seguran√ßa, o mau comportamento de motoristas, o vandalismo, os calotes e a presen√ßa de usu√°rios de drogas, jamais solucionados, tamb√©m deixam a passageira indignada: “A redu√ß√£o do tempo de viagem √© a vantagem. Diminuiu quase uma hora”.
Em 2015, quando Eduardo Paes (PMDB) era prefeito, a Secretaria Municipal de Obras anunciou estudo para ampliar as esta√ß√Ķes Magar√ßa, Mato Alto e Curral Falso e os terminais Santa Cruz e Alvorada, importantes pontos de baldea√ß√£o, o que aumentaria a capacidade do Transoeste como um todo. O an√ļncio veio depois de a prefeitura reconhecer que essas esta√ß√Ķes foram subdimensionadas. At√© hoje, por√©m, s√≥ o Alvorada foi reformado.
Segundo Suzy Balloussier, diretora de Rela√ß√Ķes Institucionais do BRT, a reestrutura√ß√£o √© importante para permitir que mais √īnibus parem simultaneamente nas plataformas. Com isso, o tempo que o ve√≠culo precisa esperar a pr√≥xima parada desocupar seria reduzido, o que aceleraria o embarque e o desembarque e aumentaria o n√ļmero de viagens realizadas com a frota de 450 ve√≠culos. Logo, a demanda seria absorvida em menos tempo.
“Em Santa Cruz, por exemplo, s√≥ √© poss√≠vel encostar um √īnibus de cada servi√ßo por vez. Se encostassem dois, tanto a fila quanto a lota√ß√£o no terminal seriam menores e os √īnibus fariam a viagem mais r√°pido”, explica.
O estudante Wallace Campos do Nascimento, 21, morador de Pedra de Guaratiba, conhece bem o perrengue da na esta√ß√£o Magar√ßa. “Pela manh√£, de 6h √†s 8h, √© muito cheia, e de tarde tamb√©m. Ela recebe gente de Campo Grande, Bangu, Santa Cruz, Madureira. De tudo quanto √© lugar. Al√©m disso, √© preciso refor√ßar a seguran√ßa, porque aqui √† noite √© bem deserto e acontecem assaltos, principalmente ap√≥s as 22h. Antes, tinha policiamento. Agora, n√£o tem mais”, afirma.

Projetos sem conclus√£o

O projeto do BRT Transol√≠mpica, inaugurado ano passado, previa que o corredor ligaria o Recreio a Deodoro. No entanto, essa √ļltima esta√ß√£o nem come√ßou a ser constru√≠da e o corredor termina na Vila Militar. O terreno onde o terminal seria erguido, ao lado da esta√ß√£o de trem, continua cheio de mato. S√≥ um seguran√ßa toma conta do canteiro.
Em 2015, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) chegou a dizer que o BRT da Transol√≠mpica ajudaria a desafogar o Transoeste. A previs√£o era que moradores de bairros entre Bangu e Campo Grande, que utilizam a esta√ß√£o Mato Alto, poderiam passar a fazer conex√£o entre linhas de √īnibus comuns e os servi√ßos da Transol√≠mpica em Sulacap ou Deodoro. “A gente acredita que a Transol√≠mpica teria maior atratividade com a constru√ß√£o do terminal”, aponta Suzy Balloussier, do BRT.
Suzy estima que o Transbrasil, cujas obras est√£o abandonadas desde julho, tamb√©m ajudaria a distribuir melhor a demanda dos demais corredores. “Muita gente viaja pela Transoeste e pela Transcarioca porque n√£o tem op√ß√£o pela Avenida Brasil”.
Como a rede toda n√£o foi conclu√≠da, o n√ļmero total de passageiros (344 mil por dia) √© bem menor do que o estimado no in√≠cio (1,5 milh√£o). A prefeitura diz que reavalia os contratos e que pretende dar continuidade √†s obras do Transol√≠mpica e do Transbrasil. A SMTR afirma, ainda, que o atraso na al√ßa de liga√ß√£o Transoeste-Transol√≠mpica se deve √† demora em transferir cabos pela Light.

Calotes e buracos no meio da rota
Outros velhos problemas s√£o os calotes (segundo o BRT, o √≠ndice de evas√£o chega a 12%) e depreda√ß√£o. Na maioria das plataformas do Transoeste e do Transcarioca, a abertura autom√°tica das portas de vidro nem funciona mais, de tanto que v√Ęndalos for√ßam as entradas laterais para n√£o pagar passagem.
Para tentar reduzir a incid√™ncia, um grupo de trabalho da prefeitura se reunir√° amanh√£ para discutir o plano para poss√≠vel utiliza√ß√£o da Guarda Municipal no refor√ßo da seguran√ßa das esta√ß√Ķes. A previs√£o √© que o planejamento seja conclu√≠do em mar√ßo.
Como O DIA antecipou, o plano é distribuir 700 agentes em todo o sistema.
Ao percorrer o Transoeste na quinta-feira, a equipe de reportagem observou pelo menos cinco √īnibus articulados quebrados na pista. O BRT atribui o problema √† m√° qualidade da pista, feita em asfalto, e n√£o em concreto, como os corredores mais modernos. A prefeitura esclareceu que come√ßou a mapear o corredor para estimar danos e fazer um plano de recupera√ß√£o.
Fonte - O Dia  19/02/2017

Sistema de BRT do Rio - Arte O Dia

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