domingo, 20 de novembro de 2016

Segundo o Ipea negros têm mais chances de serem assassinados no Rio do que brancos

Direitos Humanos ūüĎź

O levantamento utilizou os dados de residentes e de pessoas que morreram na cidade do Rio de Janeiro em 2010. Foram levadas em conta tamb√©m as informa√ß√Ķes de escolaridade, local de resid√™ncia, idade e estado civil, na amostra de homens entre 14 e 70 anos. No artigo Democracia Racial e Homic√≠dio de Jovens Negros na Cidade Partida, os pesquisadores Daniel Cerqueira e Danilo Coelho conclu√≠ram que, mesmo entre pessoas de mesmo padr√£o social e econ√īmico, os negros t√™m mais chances de serem v√≠timas de homic√≠dios do que os brancos.

Akemi Nitahara
Repórter da Agência Brasil
Ag.Brasil
Mesmo desconsiderando todos os fatores econ√īmicos e sociais, os homens negros t√™m 23,5% mais chances de serem assassinados do que os brancos no Rio de Janeiro. A estimativa √© do Instituto de Pesquisa Econ√īmica Aplicada (Ipea), que apresentou sexta-feira (18) estudo in√©dito feito a partir de uma an√°lise metodol√≥gica inovadora, com base nos dados do Censo 2010 e do Sistema de Informa√ß√Ķes sobre Mortalidade, do Datasus.
O levantamento utilizou os dados de residentes e de pessoas que morreram na cidade do Rio de Janeiro em 2010. Foram levadas em conta tamb√©m as informa√ß√Ķes de escolaridade, local de resid√™ncia, idade e estado civil, na amostra de homens entre 14 e 70 anos. No artigo Democracia Racial e Homic√≠dio de Jovens Negros na Cidade Partida, os pesquisadores Daniel Cerqueira e Danilo Coelho conclu√≠ram que, mesmo entre pessoas de mesmo padr√£o social e econ√īmico, os negros t√™m mais chances de serem v√≠timas de homic√≠dios do que os brancos.
De acordo com Cerqueira, o objetivo da an√°lise foi investigar as raz√Ķes dessa diferen√ßa de letalidade baseada na cor da pele, j√° que de cada sete pessoas assassinadas no Brasil, cinco s√£o afrodescendentes. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica (IBGE) mostram que, enquanto os homic√≠dios de n√£o negros caiu 13,7% de 2004 a 2014, no mesmo per√≠odo o assassinato de negros cresceu 19,8%.
“Existem duas hip√≥teses concorrentes. A da democracia racial, que fala que o negro morre mais porque √© mais pobre, n√£o porque √© negro. E que ele √© pobre porque foi largado desde a aboli√ß√£o da escravatura numa condi√ß√£o pior do que a do branco, a√≠ voc√™ tem uma rigidez intergeracional - como ele era mais pobre l√° no passado, continua mais pobre hoje, ent√£o ele morre mais”, afirmou o pesquisador.
Cerqueira disse ainda que a pesquisa nega essa hip√≥tese, da chamada “democracia racial”, e busca explica√ß√Ķes no racismo. “A gente considera a hip√≥tese do racismo, que afeta a letalidade de negros por tr√™s caminhos, dois indiretos e um direto. Os indiretos t√™m a ver com pr√°ticas educacionais e discrimina√ß√£o no mercado de trabalho. Ent√£o, quando voc√™ olha a distribui√ß√£o de renda do Brasil, os 10% mais pobres t√™m 73,1% de negros e quando olha os 10% mais ricos, h√° 73,6% de brancos ou amarelos. Parte dessa pobreza j√° √© o mecanismo via racismo da quest√£o educacional e do mercado de trabalho. Al√©m disso, investigamos o efeito direto do racismo sobre a letalidade de negros”, acrescentou.
Para os pesquisadores, o racismo se mostra principalmente em tr√™s vertentes: pol√≠ticas e pr√°ticas educacionais discriminat√≥rias; discrimina√ß√£o no mercado de trabalho; e racismo institucional das pol√≠cias e da m√≠dia na diferencia√ß√£o da forma como s√£o noticiadas mortes violentas de negros e de brancos. De acordo com Cerqueira, como √© verdade que os negros s√£o mais pobres, se a an√°lise se resumir a separar as v√≠timas negras das n√£o negras, “obviamente eles v√£o ser mais vitimados”.
“Ent√£o, n√≥s fizemos um modelo econom√©trico incluindo o grau de escolaridade, o estado civil, a idade e o local de resid√™ncia. Considerando essas outras vari√°veis, essa historinha do social est√° controlada. Ent√£o, a gente tem uma base de dados in√©dita e fizemos para cada pessoa do Rio de Janeiro, com as caracter√≠sticas socioecon√īmicas e a cor da pele, e fizemos um modelo para expurgar todas essas outras caracter√≠sticas e ficar apenas com o efeito direto da cor da pele na letalidade. E, com isso, verificamos que o negro tem 23,5% mais chances de ser morto”.
Na probabilidade de cada pessoa no Rio de Janeiro sofrer homic√≠dio, calculada pelos pesquisadores, entre os 10% que t√™m mais chance de sofrer homic√≠dio, 79% eram negros. A pesquisa concluiu tamb√©m que entre a popula√ß√£o branca, h√° uma prote√ß√£o maior da inf√Ęncia e juventude, mas o mesmo n√£o ocorre com a popula√ß√£o negra. Enquanto um adolescente branco tem 74,6% menos chance de ser assassinado do que um adulto branco, a chance de um adolescente negro ser v√≠tima de homic√≠dio √© 23,2% maior do que a de um adulto negro.
Fonte - Ag√™ncia Brasil  20/11/2016

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