sábado, 8 de outubro de 2016

Abandono de setores fará Petrobras ser apenas mais uma petrolífera média

Pré-Sal

O programa de venda de ativos da Petrobras, proposto no Plano de Negócios da empresa de 2017 a 2021, preocupa não só petroleiros,como também especialistas no setor. E não só devido à redução de valores,mas pela saída de áreas estratégicas.

Da Redação
foto - ilustração/arquivo
A estatal já vendeu a malha de Gasodutos do Sudeste, confirmou que busca interessados na compra da BR Distribuidora, a maior do setor no país, negócio que pode render US$ 6 bilhões, e que vai sair das áreas de petroquímica, biocombustíveis e fertilizantes. A Câmara dos Deputados também aprovou, em uma sessão tumultuada, na última quarta-feira o fim da obrigação de a empresa ser operadora única no pré-sal.Até agora,a estatal tinha que ter uma participação mínima de 30% nesses consórcios.Agora ela passa a ter a liberdade de escolher de quais blocos quer participar.Petroleiros e movimentos sociais dizem que a decisão ameaça a soberania brasileira na área de energia.O ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP),Haroldo Lima,vê motivos de preocupação,sim,mas apenas no tocante à venda de ativos.Ele cita como exemplo a venda do campo de Carcará,na Bacia de Santos,considerado o segundo mais importante da área do pré-sal."Ela,que era operadora única no pré-sal,vende para uma empresa estrangeira (a norueguesa Statoil, por US$ 2,5 bilhões).Por mim, nesse plano de desmobilização de ativos não entraria Carcará,como não entraria a BR Distribuidora, nem as participações na petroquímica, biocombustíveis,nem na área de fertilizantes."
Lima diz que a Petrobras não pode estar se concentrando apenas na exploração e produção,porque,se ela deixa esse conceito de verticalização,passa a ser apenas uma média ou pequena empresa de petróleo.Ele observa que,com relação ao projeto de lei 4.567,houve muitas incompreensões.Segundo o especialista,não foi aprovado o projeto apresentado pelo José Serra (então deputado federal pelo PSDB de São Paulo), o 12.351/10 que previa que a Petrobras deixaria de ser operadora única do pré-sal e não teria participação no pré-sal.
O ex-diretor da ANP lembra que,na ocasião,o Senado promoveu diversos debates sobre o assunto. Em um deles,Lima convidado."Colocamos a Petrobras como operadora única no contexto em que o petróleo estava valorizado e o caixa da empresa bastante fortalecido.Num contexto em que o petróleo está desvalorizado e a Petrobras altamente endividada,não havia por que insistir que ela continuasse como operadora única,o que faria com que a exploração do pré-sal ficasse muito demorada,o que já está acontecendo.Descobrimos o pré-sal há dez anos e desde então só tivemos um leilão para a área, mas não é o caso de deixar a Petrobras completamente à margem do pré-sal." Lima diz que não dar nenhuma regalia à Petrobras,que descobriu o pré-sal,seria algo inusitado.Por isso foi defendido que ela passasse a ser operadora preferencial,escolhendo o bloco em que ela quisesse operar."Essa concepção mudou completamente o projeto inicial do Serra."
Fonte - Sputnik  07/10/2016

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