sexta-feira, 17 de junho de 2016

VLT - Fortaleza X Cuiabá

Ponto de Vista

Desde maio de 2014 a obra do VLT de Fortaleza estava paralisada.Deveria ter sido entregue a tempo, para a Copa do Mundo,mas houve quebra de contrato com o consórcio CPE-VLT,o motivo apresentado foi o descumprimento dos prazos.Após nova licitação as obras foram retomadas. Atualmente,o empreendimento está com mais de 60% de execução e, quando concluído, terá 13,4 quilômetros ligando os bairros Mucuripe e Parangaba. 

Vicente Vuolo
foto - ilustração
Depois do Rio de Janeiro inaugurar o VLT, mais uma grande cidade brasileira aderiu definitivamente ao Veículo Leve sobre Trilhos. Fortaleza, conhecida internacionalmente pelas belíssimas praias, agora irá desfrutar de um transporte de primeiríssima qualidade, ecologicamente correto, seguro e confortável.
Desde maio de 2014 a obra estava paralisada. Deveria ter sido entregue a tempo, naquele ano, para a Copa do Mundo. Mas, houve quebra de contrato com o consórcio CPE-VLT. O motivo apresentado foi o descumprimento dos prazos. Houve nova licitação. E as obras foram retomadas. Atualmente, o empreendimento está com mais de 60% de execução e, quando concluído, terá 13,4 quilômetros ligando os bairros Mucuripe e Parangaba. Dessa extensão, serão 12,3 quilômetros em superfície e 1,4 quilômetro de trechos elevados. O Ramal atravessa 22 bairros, área que concentra mais de 500 mil moradores. A previsão de demanda potencial do novo modal é de 90 mil passageiros por dia. Em setembro, o VLT começa a operar.
Fortaleza tem história que gosta de preservar, onde se mescla o antigo e o moderno. O Teatro José de Alencar, com mais de 100 anos, é um ícone arquitetônico. O moderníssimo Beach Park é uma opção para os que gostam de muita adrenalina. Fortaleza está mais próxima da Europa e Estados Unidos e, por isso, possui diversos voos regulares para lá. Existe uma presença forte de europeus. Afinal, a sua toponímia é uma alusão ao Forte Schoonemborch, que deu origem ao município, construído pelos holandeses durante sua segunda permanência no local, entre 1649 e 1654. O lema de Fortaleza – presente em seu brasão – é a palavra em latim “Fortitudine”, que, em português significa “força, valor, coragem”.
Dados de 2013 nos mostram que entre os países que mais enviam turistas ao Ceará, está em primeiro lugar a Itália (5.397 turistas), em segundo Portugal (3.722 turistas) e os Estados Unidos (1.137). França e Filipinas, com 1.069 e 1.066 turistas, respectivamente, completam a lista.
Acredito que a presença dos italianos tem muito a ver com o trabalho empreendedor de um padre nascido naquele país em 1932, o padre Luiz Rebuffini. Ele chegou em Fortaleza em 1960 e logo começou a edificar uma obra incrível. Dedicou-se às crianças órfãs e filhas de famílias enfraquecidas. Criou o Centro Educacional da Juventude Padre João Piamarta, que iniciou suas atividades em 1972, como internato. Depois a Casa da Criança Governador Virgílio Távora, Lar Nazaré, essa para meninas em situação de vulnerabilidade, e a Escola Agrícola Padre Lino Gottard.
Esse italiano que virou cearense, da Congregação da Sagrada Família de Nazaré, sempre esteve com seu pensamento ligado à juventude e ao desenvolvimento. Sua proposta de educação sempre foi para criar oportunidades para os jovens. Milhares passaram por suas escolas e superaram as situações de miséria e de desagregação familiar.
Creio que o Ceará reforçou nele seu lado empreendedor. O povo cearense é um povo empreendedor, com forte tino para o comércio. Por isso, o turismo e o setor de serviços crescem vencendo várias crises nacionais. O padre Luiz Rebuffini, já nos finais dos anos 1980 dizia que o turismo seria a nova grande onda de desenvolvimento do Ceará, e que os jovens teriam grande oportunidades de emprego nas atividades ligadas a essa indústria não poluente.
Fortaleza cresceu e se diversificou, é a quinta capital em população. Os desafios para uma cidade que ultrapassou 2 milhões e meio de habitantes são enormes, e por isso, a opção pelo VLT é uma referência que devemos observar com atenção. Lá, a cidade está optando pelos trilhos.
Enquanto isso, em Cuiabá, o cenário do VLT é outro. Abandono e paralisia total. Políticos e governo do Estado não se entendem. Disputas político-eleitoral parecem ditar o rumo de uma obra que não deveria ter dono, a não ser a própria população.
Esta é a hora onde todos os segmentos da sociedade deveriam estar unidos em torno de uma causa. Executivo, Legislativo (estadual e municipal), setor produtivo, entidades lojistas se mobilizando para o término da obra e para que os serviços que venham a ser prestados sejam de qualidade, sem desvios ou corrupção e sem cabides de emprego.
VICENTE VUOLO É ECONOMISTA, CIENTISTA POLÍTICO E ANALISTA LEGISLATIVO DO SENADO FEDERAL.
E-mail: vicente.vuolo10@gmail.com
Vicente Vuolo  17/06/2016

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