quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mais Médicos é catalisador de um novo modelo de atenção médica, diz consultor da OPAS/OMS

Saúde

O programa Mais Médicos é uma experiência “grandiosa e ousada política e tecnicamente”, sendo catalisador de um novo modelo de atenção à população, disse durante evento em Fortaleza (CE) Julio Suarez, consultor da representação da OPAS/OMS no Brasil.O programa Mais Médicos foi criado em 2013 pelo governo federal. 

Revista Amazônia
foto - Araquém Alcântara
O programa Mais Médicos é uma experiência “grandiosa e ousada política e tecnicamente”, sendo catalisador de um novo modelo de atenção à população, disse durante evento em Fortaleza (CE) Julio Suarez, consultor da representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil.
As declarações foram feitas na quarta-feira (1) no 32º Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, durante a mesa redonda “Experiências municipais inovadoras na implementação do Programa Mais Médicos”, coordenada pela OPAS/OMS.
O consultor da OPAS no Brasil apresentou na ocasião a experiência do Mais Médicos em Curitiba (PR), município que apresenta uma série de desigualdades sociais.
“Curitiba tem o 10º melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil, mas é um município desigual”, disse. “A Secretaria Municipal de Saúde tinha dificuldades em fixar médicos nas áreas mais pobres. Por isso, o Mais Médicos chegou”.
De acordo com o pesquisador, foram feitas 24 entrevistas com profissionais de saúde do município e visitas às unidades básicas dos bairros de Sabará, São Miguel e Salvador Allende. De acordo com a pesquisa, um dos resultados do programa foi o fortalecimento da atenção básica dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e também a melhoria e a humanização do atendimento ao usuário.
“O Mais Médicos no Brasil é uma experiência muito grandiosa e ousada política e tecnicamente. O programa foi um catalisador de um novo modelo de atenção”, disse. Suarez também reforçou a importância da cooperação que garante a atuação de médicos cubanos no país.
O evento em Fortaleza ocorre até sábado (4), com a participação de cerca de 4 mil gestores da saúde de todo o país.

Exemplos de Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte
Já o coordenador do mestrado profissional em atenção primária à saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Carlos Eduardo Campos, apresentou aos gestores da saúde o exemplo da capital carioca.
Ele lembrou que a população da cidade, principalmente nas áreas mais pobres, estava desacostumada a ter assistência médica e, com a vinda dos médicos do programa, viram sua realidade mudar.
“O compromisso e a ética dos médicos chamaram a atenção da população. Eles trabalham muito, atendem até o último paciente.”
Experiências da atenção básica de saúde de municípios de maior vulnerabilidade e menor porte do Rio Grande do Norte também foram expostas por Ângelo Roncalli, professor do programa de pós-graduação de saúde coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“O primeiro impacto do programa é no próprio processo de trabalho, no cotidiano. A chegada do médico traz a perspectiva do verdadeiro trabalho em equipe. Todo trabalhador de saúde é sempre coletivo”, afirmou.
“Também observamos o fortalecimento da atenção primária de saúde. (…) Existe uma fala comum de que existe a saúde antes do Mais Médicos e depois do Mais Médicos”, acrescentou.
Renato Tasca, coordenador do Mais Médicos na OPAS/OMS, ressaltou a importância da análise do programa como política pública nas perspectivas locais, o que gera conhecimento e novas formas de enxergar a realidade.
Na opinião de Tasca, o programa tem contribuído para a redução das desigualdades no Brasil. “O Mais Médicos é um grande viabilizador, criador de condições favoráveis. Entretanto, está na capacidade do gestor, das equipes, aproveitar esse potencial e fazer que isso viabilize mudanças”, disse.
Criado em 2013 pelo governo federal, o Mais Médicos tem o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.
A representação da OPAS/OMS no Brasil colabora com a iniciativa, intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em postos de saúde do país. Com o Mais Médicos, foi possível preencher 18.240 vagas em 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Dessas, 11.429 foram ocupadas por profissionais cubanos.
Fonte - Revista Amazônia  02/06/2016

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