domingo, 15 de maio de 2016

Metrô de Fortaleza transporta menos de 5% da sua capacidade de passageiros

Transportes sobre trilhos

Com 24,1 quilômetros de extensão,do Centro de Fortaleza à cidade de Pacatuba, a Linha Sul do metrô tem estrutura para transportar 350 mil pessoas por dia. Após quase 4 anos de operação da Linha (inaugurada em junho de 2012), a média em dias úteis é de 16.900 usuários,o equivalente a 4,8% do total projetado.

Thatiany Nascimento-Reporter/DN
Diário do Nordeste
O intervalo entre as viagens deveria ser menor. O horário de funcionamento ampliado. A oferta do transporte aos domingos garantida, bem como a integração tarifária com os ônibus. Promessas ainda não cumpridas no metrô de Fortaleza (Metrofor), que para quem esperou 13 anos pelo funcionamento do modal, hoje, são gargalos e pedem soluções imediatas. A inauguração da Linha Sul, em 2012, melhorou os deslocamentos em Fortaleza e na Região Metropolitana. Mas, diante do potencial deste tipo de condução, o impacto ainda é tímido.
A capacidade de transporte calculada pelo Estado para a Linha Sul, que se estende por 24,1 km e liga o Centro de Fortaleza à cidade de Pacatuba é 350 mil pessoas por dia. Isto, com o metrô funcionando integrado a outros tipos de transportes coletivos. Porém, segundo o Metrofor, após quase 4 anos de operação da Linha (inaugurada em junho de 2012), a média em dias úteis é de 16.900 usuários. O equivalente a 4,8% do total projetado.
Entre os usuários, há alívio e reconhecimento pela rapidez de deslocamento no modal, mas também estão presentes desejos de melhoria. Hoje, em 20 minutos, o corretor Eligleiton Gomes, morador de Fortaleza, faz o trajeto casa-trabalho, no fluxo Aracapé-Centro. Antes, o percurso era feito em dois ônibus urbanos, transportes que na avaliação do corretor “fazem um caminho extremamente demorado”.

foto - Tuno Vieira
Usuários cobram a ampliação do horário de funcionamento da linha e a integração tarifária com outros transportes coletivos

Passageiro da Linha Sul desde o início da operação, Eligleiton sabe decorado os horários que a composição passa. “É necessário porque demora muito. Se a gente perde, atrapalha o trajeto todo. E a viagem fica equivalente a de ônibus”, explica.
Para quem todos os dias tem que seguir de Pacatuba rumo ao bairro Parangaba na Capital, trafegar sobre os trilhos é a melhor opção, segundo avaliação e experiência do universitário Samir Ribeiro. Mas, ao chegar em Fortaleza, falta integração. Por isso, ele precisa desembolsar um novo valor para seguir no ônibus no qual realiza o restante do trajeto.

Impacto
A influência da Linha Sul, que começou a ser projetada na década de 1980 e custou cerca de R$ 1,5 bilhão, é pequena ainda, segundo o engenheiro civil e professor do Departamento de Engenharia de Transporte da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mário Azevedo. Planejada para terem viagens realizadas a cada 6 minutos, as composições do metrô hoje têm um intervalo de 20 minutos. Às vezes, informam os passageiros, esse espaço de tempo é ainda maior.
O alívio na mobilidade, conforme o professor, só poderá ser realmente dimensionado quando o modal funcionar de forma integral. O sistema adotado em Fortaleza, de acordo com Mário, assemelha-se aos operados em Belo Horizonte e Recife, por exemplo, sendo diferentes dos sistemas mais complexos adotados no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Estas cidades têm uma estrutura de controle mais pesada. Em São Paulo, o trem passa a cada 75 segundos. É uma sinalização mais cara. Um padrão diferente de operação”, explica.
Dados da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros (ANPTrilhos) dão conta que, no ano passado, dentre as sete capitais brasileiras que possuem sistema de metrô, Fortaleza foi a que menos transportou passageiros. Pela Linha Sul, conforme a Associação, passaram 4,6 milhões de usuários.
Investimentos para implantação, expansão e modernização, e redução do custo operacional, com consequente baixa tarifária são,segundo a superintendente a ANPTrilhos, Roberta Marchesi, os principais gargalos para o desenvolvimento do setor nos estados brasileiros.
Segundo Roberta, os sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos no Brasil estão restritos a 12 regiões metropolitanas, respondendo por um percentual de viagens muito baixo. Ela reitera que as exceções são os metrôs de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Operação
O presidente do Metrofor, Eduardo Hotz, reconhece que a utilização em Fortaleza ainda é baixa diante do potencial que esse tipo de transporte tem. Mas, ressalta que é adequada para a atual estrutura da Linha, pois falta ainda implantar de forma integral o sistema de Sinalização e Controle e o de Telecomunicações.
“Agora, a linha opera em 12h. Queremos estender para começar às 5h30 e ir até 23h, mas como não temos esses sistemas, estamos operando no chamamos de ‘marcha à vista’. Por isso, os trens têm que ser ligados em intervalos de cinco estações, ou seja, uma composição só sai da estação, quando a outra está cinco a frente”. O sistema de Telecomunicações foi executado até agora em 61% da rede. Eduardo garante que até o fim deste ano esta implantação será finalizada. Já o Sistema de Sinalização e Controle, que tem 81%, de execução só será concluído em julho de 2017, quando o metrô deverá funcionar nos moldes projetado.
Licitações canceladas e as “pendências de mercado”, devido à parte dos equipamentos que compõem o sistema serem importados (45%), segundo o presidente do Metrofor, atrasaram a implantação dos mesmos. Já a integração por meio do Bilhete Único Metropolitano deverá ocorrer em três meses.
Fonte - Diário do Nordeste  14/05/2016

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