sexta-feira, 15 de abril de 2016

Aeroporto do Galeão (RJ) será primeiro no Brasil a implantar controle de pátio

Aeroportos

Sistema tem a finalidade de organizar o  movimento de aeronaves, equipamentos e pessoas aumentando a segurança e ajudando a reduzir atrasos. Será o primeiro terminal brasileiro a implantar esse serviço, que aumenta a segurança e a agilidade na movimentação dos aviões durante o taxiamento. “Isso deve ajudar a reduzir atrasos. Às vezes, a demanda impede que eu consiga trasladar um avião no tempo necessário

Natália Pianegonda - Agência CNT
foto -  Divulgação/Fraport 
O Aeroporto Internacional do Galeão (RJ) deve inaugurar, em maio, o apron control, sistema que tem a finalidade de organizar o movimento de aeronaves, equipamentos, veículos e pessoas no pátio dos aeroportos. Será o primeiro terminal brasileiro a implantar esse serviço, que aumenta a segurança e a agilidade na movimentação dos aviões durante o taxiamento. “Isso deve ajudar a reduzir atrasos. Às vezes, a demanda impede que eu consiga trasladar um avião no tempo necessário. Isso resulta em atrasos significativos”, explica o gestor do apron control da RIOGaleão, concessionária responsável pelo aeroporto, Paulo Barcellos. Ele apresentou o novo serviço durante o Airport Infra Expo 2016, realizado em Brasília (DF), no dia 14 de abril. “Agora”, diz Barcellos, “a administração aeroportuária terá uma ação coercitiva para fazer valer os tempos definidos para seguir o planejamento. Além de elevar segurança, reduzindo risco de conflitos”.
Atualmente, controladores de tráfego aéreo assumem a gestão do pátio dos aeroportos para viabilizar a continuidade do fluxo de aviões pousando e decolando. Isso aumenta a carga de trabalho e de responsabilidade desses profissionais. “Isso é feito sob o risco de algum sinistro. E, se isso ocorrer, as responsabilidades serão cobradas. Em aeroportos de grande movimento, especialmente nas horas de pico, percebe-se como é importante que os pátios tenham agilidade”, complementa Paulo Barcellos. Segundo ele, a estimativa é que até 35% do trabalho que era feito por controladores de tráfego aéreo ficará nas mãos de gestores do pátio depois que o sistema começar a funcionar.
Para o chefe da Divisão de Operações do Cindacta I (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), coronel Élvio Carlos Dutra e Silva Junior, é importante o operador aeroportuário assumir esse serviço. “O controle de tráfego tem uma visão mais voltada para o que está acontecendo em voo. Para a aeronave chegar à pista de decolagem, tem que passar por todo um percurso. Quando pensamos em controle de pátio, isso parece muito salutar para a harmonia de todo controle de espaço aéreo”, avalia. Ele complementa que, do contrário, todo o setor acaba prejudicado: “não há economia de recursos, não tem eficiência e sairá mais caro para toda a sociedade”.
A implantação do apron control no Aeroporto do Galeão motivou a formação de um grupo de trabalho, por parte da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), envolvendo autoridades do setor, operadores aeroportuários e empresas, para definir novas regras. O especialista em regulação da Gerência de Certificação e Segurança Operacional da Anac, Alberto Gonçalves de Pinho, afirma que a prioridade é garantir a movimentação segura e organizada das aeronaves. Por isso, os aeroportos que quiserem seguir este mesmo caminho devem estabelecer, com clareza, as áreas que serão geridas pelos controladores de tráfego aéreo e as que ficarão sob os cuidados dos controladores de pátio. “Tem que ter ajuste fino do protocolo de transferência de responsabilidade entre a torre e o controle de pátio. E, para o piloto que não usa habitualmente aquele aeroporto, isso deve estar publicado”, ressalta.
Segundo Paulo Barcellos, da RIOGaleão, o projeto é desafiador pela necessidade de regulamentação, infraestrutura, arquitetura e investimento em pessoal e tecnologia. “Estamos fazendo o aeroporto crescer, e o momento econômico, pela queda da demanda, facilita a implementação”, afirma. Mas enumera diversos benefícios: incremento de segurança operacional, geração de dados estatísticos de movimento, vigilância dos movimentos do aeródromo, controle dos tempos e ganhos na pontualidade.
Exemplo dos resultados e da importância do apron control é o aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Um dos mais movimentados da Europa, ele recebeu, em 2015, 61 milhões de passageiros e teve uma média superior a 100 voos por hora. Para se ter uma ideia, o Aeroporto Internacional de Guarulhos, o mais movimentado do Brasil, recebeu 38 milhões de passageiros no ano passado.
“O sistema é uma parte da gestão. Há 85 controladores de pátio que atuam em duas torres e a operação é 24 horas por dia”, conta Andreas Montag, gerente de projetos da Frankfurt Airport, empresa responsável pelo aeroporto. Ele diz, ainda, que uma terceira torre de controle de pátio será construída, com a inauguração de um novo terminal. Para ele, a implantação do serviço depende da infraestrutura e do tráfego. “Se o aeroporto tem muito espaço e pouco tráfego, não faz diferença. Mas se você tem capacidade limitada e muito tráfego, o apron control será eficiente, assim como os sistemas do aeroporto e os serviços oferecidos”, destaca.
Fonte - Agência CNT de Notícias  15/04/2016

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