terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Gestão dos recursos hídricos do Maranhão é tema de pesquisa realizada pelo Imesc

Recursos Hídricos

No Maranhão as áreas de plantio estão passando por expansão, registrando entre os anos de 2000 e 2013 um crescimento de 5,9%, fato que se relaciona diretamente com o aumento da utilização da água. Além desses exemplos, agravantes como o assoreamento de nascentes, retificação de rios para obras de engenharia ou expansão urbana. 

Revista Amazônia
foto - Técnicos do Imesc em visita às comunidades dos municípios
 de Cajari e Serrano, participantes do Sistec’s
Segundo o Censo Demográfico de 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE), apenas 55,45% dos domicílios brasileiros são atendidos por rede geral de esgoto e, no Maranhão este número é ainda menor, chegando a apenas 11,64%, o que resulta em grande quantidade desses lançados irregularmente em rios, lagos e fossas rudimentares.
No Maranhão as áreas de plantio estão passando por expansão, registrando entre os anos de 2000 e 2013 um crescimento de 5,9%, fato que se relaciona diretamente com o aumento da utilização da água. Além desses exemplos, agravantes como o assoreamento de nascentes, retificação de rios para obras de engenharia ou expansão urbana. Pensando nisso, o Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos ( Imesc) iniciou, em janeiro deste ano, um trabalho de pesquisa voltado para o uso correto dos recursos hídricos em municípios do Maranhão.
Foram escolhidos os municípios incluídos no Plano de Ações do Mais IDH, Serrano do Maranhão, localizado na Bacia do Rio Turiaçu e Cajari, na Bacia do Rio Mearim para a pesquisa sobre ‘Arranjos Produtivos na gestão dos recursos hídricos’, a partir da instalação do Sistema Integrado de Tecnologias Sociais (Sistec) nos municípios de Serrano e Cajari. Ambos contam com a base da economia pautada na agropecuária e no extrativismo, com destaque para agricultura familiar no município de Serrano e a pesca no município de Cajari, atividades que demandam atenção para o uso da água e sua gestão.
O objetivo do Imesc é analisar a aplicabilidade do Sistec, também chamado “Sisteminha”, na melhoria da oferta de alimentos de boa qualidade para essa população e na promoção da transferência e capacitação da tecnologia, para moradores dos povoados desses municípios. “Como os recursos hídricos são essenciais para o sucesso do Sistema de produção de alimentos, é importante um direcionamento na análise da utilização destes recursos, e assim, aumentar a produção sem provocar impactos ambientais”, comentou o técnico do Imesc, Ribamar Carvalho.

foto - Técnicos do Imesc em visita às comunidades dos municípios
 de Cajari e Serrano, participantes do Sistec’s
O Sistec é uma tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa ) e ampliada para o Plano de Ações Mais IDH do Governo Flávio Dino, desenvolvidos em 100 famílias nos municípios e sob a orientação da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SAF). O objetivo do Sistec é garantir a sustentabilidade alimentar da família, que pode optar por atividades, como avicultura de postura ou corte, minhocário, psicultura, horticultura e suinocultura.
A equipe formada pelo Departamento Ambiental do Imesc, Ribamar Carvalho, André Leal, Laiane Rabelo e Alfredo Bacelar visitaram os municípios do projeto, entre os dias 11 e 15 de janeiro para o procedimento de análise inicial. Acompanharam a instalação dos Sistec’s em 10 povoados de Serrano e Cajari nas atividades de produção agrícola, psicultura e criação de galinha caipira para corte e produção de ovos. “Todas estas atividades necessitam de água para funcionar, o nosso trabalho é verificar neste momento de início da instalação dos Sisteminhas de onde as famílias estão captando a água utilizada, qual é o recurso hídrico que vai garantir a sustentabilidade destas culturas e a qualidade”, explicou o técnico André Leal.
A pesquisa foi realizada com base na observação das comunidades nas residências que já iniciaram os trabalhos da produção de alimentos, registros fotográficos, georeferenciamentos dos corpos hídricos e locais de produção, entrevistas com os beneficiados do sistema e técnicos agrícolas que estão dando formação para a comunidade.
Uma das principais reclamações dos moradores dos povoados próximos às áreas de campos alagados da Baixada e Litoral é a salinização, que provoca a morte dos peixes e a escassez de água potável. Essa problemática acontece todos os anos a partir dos meses de setembro e outubro quando a água salgada ultrapassa os diques feitos de “barro e areia” pela própria comunidade. Segundo a pesquisadora Laiane Rabelo, há muita esperança para mudar o cenário: “Nós observamos que as famílias estão muito entusiasmadas com o projeto. Por ser um trabalho de base, estão todos bastante envolvidos”, ressaltou.
A pesquisa é financiada com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), coordenada e executada pela equipe do Imesc, constituída por técnicos de diferentes áreas de conhecimento, como sustentabilidade, saúde e ambiente e desenvolvimento sócio espacial e econômico.
Para a segunda parte do projeto, a equipe deve retornar aos municípios de Serrano e Cajari no final de 2016 para observar e avaliar os resultados da primeira remessa dos Sistec’s, analisando como as famílias realizaram a gestão hídrica nesse primeiro momento e suas dificuldades iniciais.
Fonte - Revista Amazônia  02/02/2016

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