sábado, 5 de dezembro de 2015

Cidades acessí­veis. Para todos

Mobilidade

Fazer cidades acessíveis é bem mais barato do que construir pistas, viadutos, túneis e pontes para automóveis. São obras mais simples, como calçadas, lombofaixas e muita sinalização. Cidades assim ficam mais humanas, calmas, boas para qualquer pessoa: cadeirantes, cegos, crianças, idosos, trabalhadores, estudantes, ciclistas, e até mesmo para os motoristas que realmente precisarem sair com seus carros.

Autor
Marcos de Sousa - Mobilize Brasil
foto - ilustração/Pregopontocom
Nesta semana, países de todo o mundo realizam eventos e ações de rua para lembrar que mais de um bilhão de pessoas enfrentam problemas em suas vidas cotidianas por terem algum tipo de deficiência.
No Brasil, seriam quase 24% da população, cerca de 48 milhões, número que pode parecer exagerado se olharmos ao redor, nas ruas, escolas e locais de trabalho. Mas, boa parte dessas pessoas simplesmente não consegue sair de casa, barradas por escadas, calçadas intransitáveis, e também transportes públicos com baixíssimo nível de acessibilidade.
Há quatro anos, quando realizamos o Estudo Mobilize 2011, apenas a cidade de Curitiba apresentava um panorama aceitável, com 92% de sua frota de ônibus acessível, graças ao sistema de corredores, com embarque em plataformas elevadas, o popular "Ligeirinho".
Felizmente, há avanços no horizonte, como o edital de transportes de São Paulo, que prevê 100% de acessibilidade no transporte municipal. Há bons exemplos também em outras capitais e cidades médias, como Joinville (SC), Boa Vista (RR), São José dos Campos (SP), Diadema (SP) e Uberlândia (MG), mas as estatísticas não contabilizam os milhares de cadeirantes que ficam nos pontos quando os elevadores e rampas não funcionam, ou quando um condutor despreparado recusa-se a parar.
Os melhores exemplos de acessibilidade encontram-se nos metrôs do Rio de Janeiro e de São Paulo, este 100% acessível, em todas as estações. Mas, para chegar ou sair desses terminais as pessoas têm que enfrentar calçadas estreitas, esburacadas, algumas com degraus de 40 cm de altura, além da ausência de rampas de acessibilidade em vários pontos.
Em 2016, além da Olimpíada, teremos a Paralimpíada, em setembro, com milhares de atletas e público com necessidades especiais circulando por várias capitais do país. Avaliações realizadas recentemente pela equipe do aplicativo Biomob nas instalações para a Olimpíada de 2016 mostram que enquanto as arenas, como o Maracanã (RJ), o Itaquerão (SP) e o Parque Olímpico (RJ) estão bem adaptadas, nas ruas o cenário é de enormes dificuldades para quem roda uma cadeira ou caminha com uma bengala branca.
Fazer cidades acessíveis é bem mais barato do que construir pistas, viadutos, túneis e pontes para automóveis. São obras mais simples, como calçadas, lombofaixas e muita sinalização. Cidades assim ficam mais humanas, calmas, boas para qualquer pessoa: cadeirantes, cegos, crianças, idosos, trabalhadores, estudantes, ciclistas, e até mesmo para os motoristas que realmente precisarem sair com seus carros. Cidades assim recuperam sua condição original de Urbe, de lugar compartilhado por todos, como sugere o precioso artigo A construção do espaço público, publicado nesta semana pelo ativista Lincoln Paiva.
Por fim, mas não menos importante, vale lembrar que nesta semana está acontecendo a COP 21, em Paris. E um relatório da ONU divulgado no encontro aponta que os transportes emitem 25% dos gases de efeito estufa e que o setor também é um dos principais contribuintes das emissões ligadas à geração de energia. Portanto, pise leve no acelerador. Use os pés para pedalar, caminhar e observar a cidade.
Fonte - Mobilize  Brasil  04/12/2015

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