quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Exposição no Museu de Arte da Bahia retrata quilombolas

Arte&Cultura

No mês comemorativo do Novembro Negro, ‘Faces’ incorpora um projeto realizado pelo MAB e pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi). Além das questões estéticas e simbólicas, o objetivo da exposição é gerar uma reflexão a respeito da importância de questões ligadas à tradição e à luta do povo negro da Bahia em um momento em que o Brasil vive um período difícil e de intolerância.

Da Redação
Secom
Oferecer, por meio do retrato, a essência de uma ancestralidade que se perdia diante da fugacidade dos tempos atuais. Essa é a proposta da exposição ‘Faces’, do fotógrafo Alvaro Villela, no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador, até o dia 30 deste mês. A exposição revela as expressões dos moradores das comunidades quilombolas de Barra e Bananal, no município de Rio de Contas, na Chapada Diamantina, e também convida o visitante a uma viagem sensorial, sinestésica, capaz de transportá-lo àquele mundo.
No mês comemorativo do Novembro Negro, ‘Faces’ incorpora um projeto realizado pelo MAB e pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi). Além das questões estéticas e simbólicas, o objetivo da exposição é gerar uma reflexão a respeito da importância de questões ligadas à tradição e à luta do povo negro da Bahia em um momento em que o Brasil vive um período difícil e de intolerância.
A exposição nasceu de uma imersão de Alvaro Villela, durante anos, em torno de duas comunidades formadas por descendentes de escravos que fugiram de um navio negreiro naufragado na costa sul da Bahia, no século 17. Depois de muito perambular, assentaram-se às margens do rio Brumado, em Rio de Contas, onde vivem até hoje.
Fotógrafo reconhecido nacional e internacionalmente, com exposições do calibre de ‘Cuba dos Cubanos’ e ‘A Natureza do Homem no Raso da Catarina’, entre outras, depois de anos de pesquisa e documentação, Alvaro Villela sentiu-se desafiado a buscar imagens que revelassem a ligação das comunidades quilombolas com sua cultura ancestral. “Foi, então, que percebi o quanto a ancestralidade está diluída com outros maneirismos, com certos costumes e até mesmo com outra religião da professada por seus antecessores”.
Diante da percepção de que havia uma forte diluição da memória, a solução encontrada por Villela foi buscar na simplicidade do retrato, a essência de toda a ancestralidade distante. “Montamos um pequeno estúdio na casa de Dona Joanita, uma sorridente moradora local”, explica ele, para depois revelar que utilizou “um pano preto ao fundo, o qual descontextualizou as pessoas, criando-lhes a sensação de desaparecimento deles mesmos, fazendo, assim, uma alusão à distante ancestralidade”.

Visitas guiadas
Secom
Segundo o fotógrafo, no começo, as pessoas resistiram, mas depois de verem as fotos de cada um, a emoção falou mais forte. “A tensão inicial deu lugar a risos e a deliciosos comentários sobre as suas faces. Apresentados os primeiros resultados, algumas pessoas se surpreenderam com a própria imagem, o que me leva a crer que elas não se olham ou não se veem. Uma senhora negra de olhos claros já tinha ouvido falar da cor dos seus olhos, mas não tinha certeza de como eles são”.
Em ‘Faces’, o público se depara com 15 grandes retratos em uma sala escura, que valoriza o recorte de luz que os ilumina. A composição vem acompanhada por sons da noite das comunidades quilombolas, o que reforça o conceito de instalação proposto pelo artista. “É uma exposição sinestésica, dos sentidos”, afirma Villela, que depois, para contrapor, traz o espectador para um choque de realidade, ao apresentar um audiovisual com imagens cotidianas dos povoados de Barra e Bananal.
Villela comandará visitas guiadas com o objetivo de discutir as suas opções estéticas, além de situar e oferecer aos espectadores informações mais detalhadas dos universos quilombolas retratados. O público também vai se deparar com um espaço no qual se encontra uma carta de alforria do século 19 e ainda um pelourinho, instrumento de tortura dos escravos, parte do acervo do MAB. A visitação acontece gratuitamente de terça a sexta-feira, das 13 às 19h, além de sábado, domingo e feriados, das 14 às 18h.
Com informações da Secom Ba.  11/11/2015

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