quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Supervia registra 320 depredações em menos de 1 ano

Transportes sobre trilhos

A empresa registrou até agora, em 2015, 320 ocorrências criminosas contra trens, a via ou a rede aérea. Foram oito casos a mais do que no mesmo período do ano passado e, em média, 1,2 a cada dia.É o que o engenheiro de Transportes da Uerj Alexandre Rojas chama de “estado de guerra”, incomparável, para ele, a qualquer outra cidade no mundo.

O Dia
foto - ilustração
Ações de vândalos na SuperVia, como supostamente o incêndio no sistema de sinalização em Manguinhos, na noite de terça, que causou atrasos e lotação no Ramal Saracuruna o dia inteiro ontem, ameaçam diariamente a rotina e a segurança dos passageiros. A empresa registrou até agora, em 2015, 320 ocorrências criminosas contra trens, a via ou a rede aérea. Foram oito casos a mais do que no mesmo período do ano passado e, em média, 1,2 a cada dia.
É o que o engenheiro de Transportes da Uerj Alexandre Rojas chama de “estado de guerra”, incomparável, para ele, a qualquer outra cidade no mundo. “As pessoas invadem a via e destroem equipamentos que não lhe dão retorno. Nunca vi isso nem em países em situações de conflito. Criar um sistema inédito que seja protegido contra o vandalismo demanda custo exorbitante e compete ao estado”, diz Rojas.
O furto de cabos é a ação predileta dos criminosos, com 185 casos neste ano (57% do total). Houve, também nos últimos nove meses e meio, sete episódios de objetos lançados na rede aérea, 54 de objetos na via e 74 de arremesso de objetos contra os trens. De janeiro a setembro, a SuperVia registrou 163 casos de para-brisas danificados. Em 2014, as cabines de maquinistas de 118 trens precisaram ter seus vidros integralmente substituídos.
A empresa ressaltou, em nota, que tais atitudes afetam a prestação do serviço e prejudicam a segurança de passageiros e funcionários, mas informou não ter detalhamento de quantos desses casos interferiram na regularidade da operação.
“Para evitar atos irregulares ao sistema, a concessionária considera indispensável o isolamento completo da área restrita à circulação de trens, por isso apoia o governo estadual no projeto ‘Segurança da Via’, cujo objetivo é realizar a segregação total da linha férrea, com a construção de muros, passarelas e viadutos”, comunicou.
No fim de setembro, o governo do estado informou que o Banco Mundial aprovou investimentos de R$240 milhões solicitados para o programa de reforço à segurança da via e para duplicação da linha férrea entre Gramacho e Saracuruna. Após autorização do governo federal e assinatura do termo aditivo do contrato, serão lançadas as licitações para a execução das obras.
Situação não deve melhorar
O incêndio próximo à Estação Manguinhos, na noite de terça, danificou os cabos de transmissão de energia, fazendo com que a circulação fosse operada com apenas uma das três subestações que atendem o Ramal Saracuruna. Como os técnicos não tinham conseguido resolver o problema até a noite, os trens atrasaram durante todo o dia — e hoje não deve ser diferente, já que a SuperVia não apontou previsão para conclusão dos reparos.
A concessionária informou no Facebook que o incêndio foi causado por “um ato indevido contra o sistema”, mas, quase 24 horas depois do ocorrido, ainda não tinha registrado ocorrência na delegacia. Segundo a empresa, os trens da linha Gramacho operaram com intervalos de 20 minutos (o normal é 10 minutos) e, no trecho Gramacho-Saracuruna, 30 minutos (também 10 a mais que o normal).
Os passageiros, no entanto, reclamaram que precisaram esperar bem mais nas estações. “Estou desde as 7h na Estação Saracuruna. Foi mais de uma hora para um trem chegar aqui, e a estação está lotada”, disse Douglas Mendonça, que embarcou por volta das 8h10.
A Polícia Militar explicou que equipes do Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) operam diretamente na linha férrea e contam com o apoio dos batalhões da área, que fazem a segurança no entorno das estações.

Impunidade é o maior desafio
Para o especialista em Segurança Pública Paulo Storani, o grande problema é a dificuldade de identificação dos autores dos atos de vandalismo. “Não existe efetivo policial suficiente para vigiar todo o percurso. Se não houver equipe especializada para investigar o modus operandi, só é preso quem é pego em flagrante. ” A Polícia Militar não respondeu quantos foram presos por crimes contra o transporte neste ano.
Fonte - Revista Ferroviária  15/10/2015

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